domingo, 7 de maio de 2017

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Há muito tempo não conto estrelas.

Disseram que cada estrela que eu contava
uma sarda correspondente surgia em meu corpo.
Crível, para uma criança que odiava
se olhar no espelho.
Parei de observar o céu noturno,
esqueci da lua,
de Júpiter
e dos corpos celestes que cortavam a noite.

Com o tempo, além do tempo, também me
esqueci do corpo que arrebentou minhas noites,
dilacerou meu coração
e colocou todo amor
na avenida cheia de faróis.


Hoje eu voltei a contar estrelas.












[junior ferreira]



sábado, 6 de maio de 2017

[...]










Sinto o meu peito mais forte, e sim, sinto que estou vivo.
Mesmo que pareça estranho o termo vivo, diante desse mundo sem
sentido algum, estou vivo, de pé.

Quando meu cérebro sussurra verdades, ele me diz que estamos de cabeça pra baixo e que somente uma força consegue nos manter firmes ao chão, a gravidade.
Se percebo que dependo dessa força e ela pode cessar a qualquer momento,
meu pescoço começa a me sufocar, minhas veias afinam e todo o meu corpo
tendencia a uma tensão que não vem deste mundo, não tem classificação.

Nesses dias de tensão, perco o sentido
os barulhos aumentam, a respiração diminui.
Embora tudo ainda mantenha um sentido externo
e sem barulhos ao meu redor.















[junior ferreira]