terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

[...]











São tantos universos que se somam sem nunca terem se conhecido,
nunca se tocado, ou visualizado a luz da existência.
Mesmo assim se conhecerem,
sabem que tem algo ali, fazendo companhia,
ouvindo os sussurros,
lamentos,
orações.

Nos momentos mais tristes, eu me isolo.
É tão fácil, não preciso recorrer a manual ou a ferramentas inter-galáticas.
Se abro a porta e sento em meu sofá,
o que me encara é a TV, o jornal no chão, Haper Lee na estante.

É trivial sentir-se sozinho, enxergar-se sozinho é
ainda mais banal - e assim as combinações de solidão formam-se.
Difícil mesmo é perceber que essa dor vai ser carregada
até o último dia.
E que a minha sombra vai deixar de me seguir,
o meu gato vai deixar de sentar na janela
e meu violão vai se tornar poeira.

Onde cabe o amor em toda essa trajetória?

Vi num filme, que o amor percorre quaisquer dimensões,
até mesmo aquelas que não conhecemos.

Acho que não faço parte desse universo,
muito menos daqueles que se somam
e se cuidam
e se misturam e viram
apenas
um.












[junior ferreira]

sábado, 4 de fevereiro de 2017

[...]









Quando fui apanhar o cartão postal
contei todos os degraus
me segurei no corrimão
e veio a minha cabeça aquele cheiro nostálgico de poeira
Aquele mesmo cheiro que tomava conta da sala
quando parávamos pra olhar as fotos antigas.

Lembra da vizinha? dos amigos que ficavam correndo
na rua de baixo da nossa?
Lembra da Dona Antônia?
Achávamos que algumas pessoas eram loucas,
outras sozinhas,
que eram felizes e quando nao tínhamos ideia nem da hora de voltar pra casa,
inventávamos nossas próprias historias
para rir, nos sentirmos bem.

Hoje vejo fotos aleatórias de pessoas
que nao estão mais por perto.
Sinto saudades.

Contudo, nao quero esse tempo de volta.
Quero um novo tempo, permanecer no que ja foi,
não quero mais.

Quero viver.














[junior ferreira]