quarta-feira, 1 de outubro de 2014

[...]















Não que eu não gostasse de você, não era isso. Você entendeu errado, garoto ou garota - como quiser entender. Resgatou outros sentimentos, pensando que não haveria nenhum para resgatar. Atribuiu adjetivos aos móveis do meu quarto e me abraçou de madrugada. Pela manhã fez meu café e se despediu com sorrisos múltiplos de alguém que me veria mais vezes ao dia, ou pelos amanhãs ou pelas próximas semanas e reencarnações suscetivas, imediatas e infindáveis. Me encarou como se quisesse me penetrar mais profundo e comeu da carne que tanto queria. Em Maio, começou a enviar suas cartas, em Agosto já estava determinado. No final de Setembro ocorreram tempestades, relâmpagos, rumorejos, resmungos e então se confundiu em sua própria cabeça. Eu, deste lado de cá, já não sabia mais o que era sentimento ou o que era invenção. As cartas perderam os motivos e minha cabeça embaralhou-se em diversos universos prolixos e sem luz. Me encontro sozinho, agora. O remorso bate na porta e as vezes digo que estou - mesmo não querendo dizer que entre. Rancoroso, em algumas manhãs ou partes do dia, o meu tom ao dizer boa tarde se manifesta com angustia e raiva. Tento entender o vazio como os poemas singulares que saem dos pulmões, fígado e vísceras inúteis. Prefiro pensar que tudo é uma questão de vento ou furacão nesse barquinho no qual navego lentamente a minha vida.
















[junior ferreira]

domingo, 21 de setembro de 2014

[...]












Se me ligarem, diz que saí por aí.
Fui levar o vento na rodoviária
e dar um passeio de barco com o meu furacão,
ver os olhos do redemoinho envolver a minha guitarra
e cantarolar borboletas em meus ouvidos.

Diz que ja volto com a comida do beija-flor,
e com as estrelas que dormiram em suas costas.











[junior ferreira]

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[...]
















Que venha sem se programar como o meu despertador.
Banal como dizem os meus sorrisos,
que deixo nas vitrines de jornais e livrarias por aí.
Quero que exista em papéis de guardanapos,
em cartas de papel amassado,
o amor singular, simples e jamais efêmero.













[junior ferreira]

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

[...]
















Torno-me irreconhecível a cada dia
não reconheço tantos rostos como antes
e a cada momento vejo mais estranhos
pela padaria
ou pela cafeteria da esquina, na qual bebo o meu café-com-leite
e deixo minhas escritas se esfriarem em papéis de guardanapo
em cima da mesa de madeira
ou nos ventos velozes
feitos através das asas de uma borboleta azul














[junior ferreira]












segunda-feira, 25 de agosto de 2014

[...]














Quero a tarde veloz e vermelha
que os teus cabelos coloriram em fevereiro.
A cadeira em que a sua avó balançava na varanda - a qual rodeava a casa -  e incendiou
a tarde em lilás junto a tua juba, em janeiro, quero que os barulhos a tragam novamente.

Aqueles que querem e preferem sofrer,
se isolem
e vão para longe de Agosto,
mês no qual a paixão desesperada
bate na porta daqueles mais desajeitados
e perdidos em suas próprias poesias.
















[junior ferreira]

terça-feira, 19 de agosto de 2014

[...]







Essa coisa que não se explica
e as vezes cai pelos cabelos e passa pelos ouvidos
e volta dos pés a cabeça em frêmitos,
volta em lágrimas e vento,
em furacões de fogo,
agonia e felicidade.
Mistura tantos outros sentimentos e sensações que me faz perder em meu próprio tegumento,
limitando-me a entender
aquela mesma coisa que sai da cabeça e navega o corpo
sem deixar rastros,
marcas físicas,
registrando a existência
em infindáveis gemidos inflamáveis.









[junior ferreira]

terça-feira, 12 de agosto de 2014

[...]







Parece que foi ontem
que confundi lilás e rosa escuro,
primavera e outono,
os tornados de todas as manhãs
com o vento tenro de depois do almoço.

Parece que foi outro dia que andávamos por aí de mãos dadas
e hoje nem sabemos um do outro,
que andei de bicicleta por uma reta infindável em minhas emoções,
que sorri o amanhã como algo inesperado
e esperado de forma clara e doce.

Efemeridade, assim nomeio minha existência.
Como tudo passa rápido,
e num piscar de olhos estamos do outro lado do mundo
e retornamos ao ponto inicial novamente.
Num piscar de olhos temos uma multidão ao nosso redor
e quando menos esperamos
nos deparamos sozinhos
no meio daquela solidão que não podemos nem nos atrever a tentar explicar.

É no meio do nada que achamos respostas.
E como tudo é efêmero, de alguma forma as respostas nos alcançam,
e então vamos entender que quando misturamos groselha com abacaxi
ou cebola com pimentão,
o que temos em mente é que apenas vivemos
para ter a felicidade de provar algo diferente
novo
e distante de nosso paladar.










[junior ferreira]

segunda-feira, 28 de julho de 2014

[...]

















Se não pode ter cachorros
tenha
       flores.



















[junior ferreira]

quinta-feira, 24 de julho de 2014

[...]














Os corações estavam espalhados pelo quintal.
Vieram antes da época.
Alguns dizem que nasceram no início da primavera
juntos aos lírios
e aos relâmpagos de margarida.
Os que colhem do quintal
não estão necessariamente desiludidos,
perdidos, eu diria,
sem coração talvez
ou com vontade de substituir este próprio músculo
por um outro que nasceu atrás da casa,
num quintal imenso
e repleto de rosas.













[junior ferreira]

terça-feira, 15 de julho de 2014

[...]













Vi uma pedra de Opala
e imaginei que tudo o que havia dentro dela
seria um minúsculo Universo.
Haviam nebulosas,
centenas de cometas ofuscantes,
variadas cores de galáxias, nascimentos de estrelas,
explosões de coisas que não são possíveis de serem explicadas.
Vi muitas coisas coexistirem naquele pequeno espaço
e me perguntei se na verdade, o nosso Universo,
não estaria imerso em uma pedra de Opala ainda maior.
E fora desta, centenas e milhares e bilhões
de outras variadas pedras,
que não conhecemos nem o formato
e tampouco seríamos capazes
de atribuí-las algum nome.














[junior ferreira]

segunda-feira, 14 de julho de 2014

[...]















Dizer que vi lágrimas,
é mentira.

Vi menos que sua cabeça baixa,
de longe.
Da última cadeira do cinema,
do último lugar da fila,
do último não sei o quê,
mas sempre longe
o via.
Tentava interpretar
o que o tornara
tão infeliz
a ponto de
mentir
para si mesmo
que não havia nascido para o amor.














[junior ferreira]

[...]











É assim quando se escorrega e bate a cabeça diversas vezes na mesma pedra e não se perde a memória por mais que queira evaporá-la. Dessa maneira que se perde o equilíbrio ao regular o que é pra ser sentido e o que pode ser só saudade. Desse modo que se fabricam montanhas de sal e as colinas de gelo, geometricamente inapropriadas para nossas conversas, fazendo tudo fugir aos nossos sentidos - se a visão é verdadeira ou inventada, se é vidro ou transparente, se o tabuleiro de xadrez era de metal fundido. Não importa, no fim, suas emoções. O que de fato interessa, é sua cara de espanto ao perceber que o que nos rodeia, é vida, vento, cores, vozes... Nada.













[junior ferreira]



domingo, 6 de julho de 2014

[...]











Quero o azul que me prometeu
dentro do seu carro velho.
Das antigas manhãs, o desiludido calor do sol
que nos abraçou sem nenhum esforço, eu quero de volta.

O amor foi transmitido a rádio
na quinta feira passada
E desde fevereiro
vejo na televisão
o anúncio de pessoas que querem amar.
Pobres coitados,
querem comprar o amor.
E dizem pagar um preço alto.
Justo.
Nem mesmo é azul
o modelo deste amor em promoção.
É banal,
se acha em qualquer praça
ou esquina. Qualquer supermercado, boteco.
Contudo, tornou-se tão necessário
que me vejo louco
e carente,
imensamente carnívoro e voraz
para comer deste novo amor,
o qual é tão mencionado pelas pessoas
no meio da rua,
nas avenidas,
em qualquer lugar.

Devolva-me, agora, as cores que foram roubadas
do meu quintal.
E eu devolverei o seu velho amor,
o qual ainda permanece
nas gavetas do meu quarto,
no meu guarda-roupas,
sombrinhas,
guarda-chuvas,
chocolate,
larva,
mariposa.














[junior ferreira]






sábado, 5 de julho de 2014

[...]















Minha necessidade virou poesia

Preciso de uma mudança drástica em minha vida
Vou-me embora para o
                                    Maranhão.




















[junior ferreira]

segunda-feira, 30 de junho de 2014

[...]













As formigas saíram após o toque de recolher
após o pó de café espalhar-se sobre o chão
e o açúcar grudar na sola do meu sapato
As formigas perderam o rumo de casa
sem se despedir dos irmãos
Mãe
Pai

As formigas esqueceram-se na estrada
e foram embora pelo derradeiro caminho
sem olhar pra trás












[junior ferreira]

sábado, 21 de junho de 2014

[...]














Não acreditava que o som das minhas tardes
perderiam a frequência
até ver as cores se desbotarem
dentro do cesto de frutas
no qual o mamão apodrece lentamente
e as maçãs tornam-se tomates

Desconsiderava
que a minha tonalidade mudaria de verde para branco
até me tornar violeta
rosa
vermelho
roxo
lilás
borboleta










[junior ferreira]

quinta-feira, 19 de junho de 2014

[...]












Tomamos um café
para nos livrar daquele cansaço
dos corpos grudados na ultima noite
daquele suor que não seca

Tomamos um café numa avenida
um de frente para o outro
e mesmo assim
seus olhos não perceberam que eu estava lá











[junior ferreira]

domingo, 8 de junho de 2014

[...]












Queria que fossem palpáveis
como as plantas da minha janela
e quando ínfimos
desejados da mesma forma
com a mesma vontade
Queria que os seus sentimentos
fossem maiores
fossem iguais
aquilo que sempre sonhamos na vida















[junior ferreira]

terça-feira, 3 de junho de 2014

[...]




















Desde fevereiro
planto flores em seu jardim
Todas elas, contudo, crescem
somente sob os meus olhares
e o meu jeito de regar

Suas camisas azuis
voam do varal
e vertiginosamente
caem
sobre o meu jardim
amassando as margaridas
lírios
beija-flores
borboletas
pés-de-moleque

Planto flores
desde fevereiro
em seu quintal
Contudo, somente as minhas
sementes crescem
e se espalham
no jardim
o qual
inventara
para
mim
     mesmo














[junior ferreira]

segunda-feira, 2 de junho de 2014

[...]














Acordamos numa manhã
sem vento
Seu cheiro, de quem dormira por oito horas seguidas
me abraçava naquele calor
matinal
De alguma forma
o suor do seu corpo
sua transpiração
me fizeram perceber
um odor diferente
daquilo que sentia quando éramos dois
A beleza do seus suspiros
e do seu jeito de abrir os olhos
acabaram-se naquela mesma
manhã
sem pausa
               e sem conversa
Os trovões da última noite
permaneceram sob os lençóis
e se romperam em silêncio
libertando apenas o som
de nossas respirações
pelo resto do
                   dia

















[junior ferreira]

domingo, 1 de junho de 2014

[...]

















Você, vem de longe
lá do Maranhão
e lança em minha manhã
a verdade sobre as cores
mais precisamente sobre a minha cor favorita, azul

Quando o azul não desbotava
eu era outro
vivia por qualquer sorriso
sentia qualquer calafrio freneticamente percorrer o meu corpo

Fui outro, quando o azul era azul
e as outras cores, ínfimas
Sou outro quando enxergo outras cores
do mesmo espectro
ou mesma sintonia

Quando fui outro
o azul de outrem
era iluminado
e as minhas manhãs
mais floridas















[junior ferreira]

quarta-feira, 7 de maio de 2014

[...]












Nos abraçamos em fevereiro
e ainda sinto o cheiro
de sua camisa
azul

azul
que se desbota
e perde suavemente
o cheiro que senti em fevereiro










[junior ferreira]

terça-feira, 6 de maio de 2014

[...]













Foi numa noite
que nos vimos

Mas foi num abraço
que nos
apaixonei

Num carinho
que nos
aqueci

Numa dessas redes coloridas
na qual passamos a tarde juntos
que os nossos olhos
brilhou

Foi numa tarde qualquer
que nós
percebi
que o todo
nunca foi completo
sempre foi a metade de um todo
a metade singular
sempre foi apenas
Eu
apenas













[junior ferreira]

domingo, 4 de maio de 2014

[...]














Por menos coerente que seja
sua presença
me aquece

Sua ausência
                    me enche de angustia
e sua demora, ao permitir o amor entrar
é algo adicional que nos torna ainda mais sem sentido

Venha
mesmo que não faça algum sentido

















[junior ferreira]

quinta-feira, 1 de maio de 2014

[...]








veio e entrou como se fosse o vento
rompendo em saudades em certos instantes
e indo embora
                      frio
calculista
              em outros momentos
Para alguma parte alguma
e para bem longe de mim

















[junior ferreira]

domingo, 27 de abril de 2014

[...]

















Digo ao derradeiro poema
que seja veloz
e nunca amargo

Peço ao derradeiro poema
para ser paciente
naqueles momentos que tenho amnésia

Despeço-me do ultimo poema
com um sorriso no rosto
e uma dor forte no peito

Diga ao poema
que irei comprar flores
com a cor dos olhos dele
e com cheiro de saudade




















[junior ferreira]

terça-feira, 22 de abril de 2014

[...]











Disse ao passarinho
que tenho urgência em ser feliz
pressa em me ver livre da
bagagem
que se encheu de coisas sem nexo
                                                     incoerências
Estou cansado deste peso
dessa ideia
de me tornar
tão desnecessário quanto a minha mala

Tenho pressa em viver
pressa em fazer sentido











[junior ferreira]


[...]

















Por detrás
dos diálogos que circulam a cozinha
vejo que minhas preocupações
são menores do que a quantidade de tomates
dentro da salada
que o cheiro de alho que circula pela casa
ínfimas em relação ao azedo do vinagre
banais
se comparados ao gosto do bolo
que acabara de sair
do forno



















[junior ferreira]

sexta-feira, 18 de abril de 2014

[...]
















Estava por demais inquieto
pensando se veria ou não
                                       o por-do-sol
                                       novamente
por demais ansioso
para descobrir a ligação
entre o curinga
e Deus
entre o mistério do jogo Paciência
e a verdadeira existência
da paciência em si - aquela que vai além da palavra
acima do peso que pondera a própria imagem
que percorre a célula e desmembra o DNA
revelando o verdadeiro enigma
de sua essência

Sou por demais louco
não racional
                   não lógico
sou homem, feito de carne
                                        e de imaginação
O que me resta é a ideia
                                    e a vontade de me reinventar
                                                                                a todo momento



















[junior ferreira

sexta-feira, 4 de abril de 2014

[...]














Fim de tarde veloz
vermelho
relampeja sua essência
em diversas cores
a cada
dia

Luz
percorre
o espaço e o tempo
e toda a imensidão
incalculável
do universo
até lançar o derradeiro
feixe eletromagnético
em seu
corpo
sua camisa
rasgada
e suja de suor
seus barulhos
em forma de
fumaça
e sua presença
embutida nos
últimos
relâmpagos
da noite














[junior ferreira]





















quinta-feira, 27 de março de 2014

[...]

















É um paradoxo
uma existência
                       e ao mesmo tempo
                       inexistência
de um único
repetitivo acontecimento

Em alguma parte
                           e
                           com uma velocidade
                                                          e violência
                                                          incríveis
                                                          apenas a Solidão
lhe abraça
e lhe sorri a ironia
                            devido ao exímio
                            fato
                                  de não estar completamente
                                  sozinho
                                              em nenhuma parte
                                                                        alguma

















[junior ferreira]

segunda-feira, 24 de março de 2014

[...]












vem distante
uníssono
manso
como o gato
embaixo
da cadeira
alisando seu rabo incansável
em minhas pernas

vem
sem som algum dessa vez
na calada da noite
onde dorme
o rio
e grita
a ilusão















[junior ferreira]

domingo, 23 de março de 2014

[...]















Existe uma dor
que te abate
e te cega
Ensurdece-te por alguns momentos
instantes esses
que tenta entender
o porquê de tal coisa existir

Fraqueza?
Nada
Acho que a sua ausência
mesmo na sua presença
desperta um medo
algo que machuca
e corrói
cronicamente
vindo daquela vontade
de não estar
sozinho
e de não se acabar na
solidão




















[junior ferreira]

sexta-feira, 21 de março de 2014

[...]














Foi quase na entrada
da viela
que ouvi o nome de uma
árvore
a qual
com toda certeza
passou pela minha imaginação
quando eu era criança

Desta árvore - segundo uma garotinha que estava ao meu lado
eu poderia retirar
qualquer sabor de sorvete
e também
a "casquinha"
o cone de mastigar
A sorveteira
não faz sombras
Refresca, contudo
a criação e
o brilho da inocência













[junior ferreira]





domingo, 16 de março de 2014

[...]
















A dor, a qual havia mencionado
(na sexta de manhã)
foi aquela devido a uma
condição física
cruel
não tão efêmera o quanto
eu gostaria

Uma ruptura
a qual tornara suas palavras
algo banal de se ouvir
num domingo de manhã
sentado na porta
da minha casa
conversando
sem olhar diretamente para o meu rosto
ouvindo a vizinha gritar
e fingir que
tudo aquilo
era mais um dia
qualquer















[junior ferreira]












sábado, 8 de março de 2014

[...]
















Vamos comprar um fusca
pode ser azul
ou anil
qualquer cor que nos flutue
e nos distancie deste dia
chuvoso
e cheio de dor


















[junior ferreira]

quinta-feira, 6 de março de 2014

[...]















Algumas vezes
apenas o violão basta

E quando a vida já não é suficiente
e a alma um inventário pequeno
nada mais basta
para o momento
                             Entre minhas pernas
                             e ninguém mais
                             não há nada que traduz
o som que se emana
das cordas do meu corpo
que agora fingem
fazer parte de uma frequência ininteligível
ligada ao sentimento
do meu corpo




















[junior ferreira]

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

[...]











É uma permanente mudança
Contudo, a casa mantem a velha e mesma estrutura óssea

Os móveis, tácitos em suas antigas posições
os talheres, dentro de cada buraco da gaveta
os papéis
as cadeiras
e até mesmo o par de chinelos - os quais ele deixara para trás
estão espalhados pela casa
Despedir-se nessa tarde veloz
equivale a se afundar na vertigem do dia
pelos cantos da casa
nos quais sua ausência se consome em paredes
corredor
porta
janelas
E a saudade, numa simples vontade de se ter uma rede na varanda















À um grande amigo e irmão que acabara de dizer "até logo"

[junior ferreira]

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

[...]










Morreram as formigas
os insetos que me incomodavam pela noite
e um besouro
Todos em minha mesa

Enquanto os insetos morriam
a cadeira
o livro de Sávio Lopes
o retrato de Elis
a robô de brinquedo
e a luminária
continuavam imóveis
parados
calados
como o resto da noite veloz
















[junior ferreira]

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

[...]

















Podemos ir voando
caso o chão esteja quente e não pudermos andar descalços
Quem sabe isso num domingo qualquer
num barquinho de papel
ou deitados na grama
lendo os nossos olhares
Fazendo com que cada parte de mim mesmo
se torne menos banal
mais intenso
diferente
voando em seus braços
feito uma borboleta
Não importa a hora
a cor
se é a pé ou a cavalo

Vem pra cama
Vem dormir














[junior ferreira]

domingo, 16 de fevereiro de 2014

[...]















Joaninhas são machos
viris
ferozes
predadores vorazes
Só se disfarçam por detrás de sua casca avermelhada
para iludir a presa de sua delicadeza inexistente
Foi o que eu ouvi
entre todo aquele alvoroço
uma explicação de algo que talvez tentasse traduzir
a sua própria personalidade


















[junior ferreira]

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

[...]













Fizemos tudo o que fizemos
e ainda somos aqueles que viveram antigamente
Estamos em harmonia com o nosso medo
e nossa dor
esquecemos que ja fomos alguém
adaptamos a nossa memória de acordo com cada necessidade
e nos tornamos tão banais
quanto fomos outrora













[junior ferreira]

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

[...]












O mundo é tão ridículo, tão estranho, as pessoas não te esperam, elas correm. Todos têm pressa, todos são eles mesmos e ninguém mais. Quanto menos se espera, mais desculpas inventam para te persuadir de que sua presença é interessante, mas não viável para o momento. Alguns dizem que já tiveram momentos felizes, outros dizem terem aprendido que esses momentos são mais voláteis quanto a presença das pessoas pelas quais nos apaixonamos. O que na verdade acontece é que somos todos feitos de uma memória viva em constante amnésia e dor. Lateja cada lado da minha cabeça só de pensar o quão você é ridículo. Não sabe a intensidade de como o vejo ridículo, e nem o limite para a própria palavra que o adjetiva. Odeio cartas de amor, odeio quem se auto assume emotivo, odeio você o qual debocha da minha poesia. Se não é para valer a pena, não se incomode nem em trocar de camisa, aquela camisa azul a qual grudou em teu corpo. Se não é para fazer sentido, não venha, fique por lá. Tenho saudades de viver, urgência em ser feliz.



















[Junior Ferreira]

domingo, 19 de janeiro de 2014

[...]

















Quando esperei por respostas
nada além de suspiros
saíram de sua boca

Parecia que conversava comigo em outra língua
outra dimensão
da qual, desesperadamente, eu procurava uma saída
uma razão
para tal atitude pressurosa
desmedida
irônica
câncer


















[junior ferreira]

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[...]












Como ele era belo, nem fazia questão de arrumar os cabelos ou pentear a barba, era por si uma coisa muito linda. A sua testa reluzia as cinco da tarde, olhando pra fora da janela, no quintal, enquanto eu terminava o meu chá na efêmera visita do sol. Sua bota espalhava o cheiro do trabalho e do cansaço do dia - o qual parecia infinito. Minha boca pedia a boca dele. Meus olhos se enchiam em prazer ao vê-lo. Não fazia esforço para ser gentil ou educado. Sinto falta de como ele preparava o meu café e o assoprava antes de me entregar para não queimar os meus lábios. Esta tudo conectado, hoje, num descompasso. Estamos em dimensões diferentes. Ele tem uma nova vida, família, filhos. Tenho o meu cachorro, minha escola de pintura. Éramos singulares, e hoje sou ainda mais singular. Deitar na cama, despida, e esperar pelo corpo dele tocar o meu, com toda a sinceridade e amor, já não é mais rotina. É lembrança. Crônica. Poesia do Saramago. Tudo menos a verdadeira carne que grudava e deixava aquele suor em minha pele. Viveria em paz se não fosse esse abandono as avessas; essa ilusão sem nexo e sem fim. Teria sossego se não fosse pela minha memória.















[junior ferreira]

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

[...]



















Não me venha falar de amor, não traga barulhos ao meu sossego. Deixe de lado o que te inquieta, viva além das paredes, navegue menos em sua imensidão imaginária

O que existe entre duas pessoas, são quatro braços
duas bocas
dois membros
em apenas um barco

O amor entre dois é desigual
igual a um
efêmero

Singular















[junior ferreira]


domingo, 17 de novembro de 2013

[...]














Foi como acordar com os barulhos
e achar que o mundo havia acabado.

Foi como acabar com os barulhos
e achar que o mundo havia acordado.













[junior ferreira]

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

[...]












"Eu comprei um cavalo" ele disse
"Com a ajuda do Senhor eu comprei meu cavalo, marrom." ele disse novamente

E por onde eu caminhava por aquela estrada de terra
pontos de luz surgiam
janelas de madeira
casas de barro e bambu

Ouvi gritos e sussurros vindos dos fundos de uma casa
por um momento achei que se tratava de uma comemoração
Era uma missa
de sétimo dia, na verdade

No escuro
no meio da poeira
um medo me tomara

Imaginei sendo pego por completo por uma aparição
no meio da estrada
por uma luz divina
Mensagem

Epifania













[junior ferreira]

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

[...]









O que tiver em mãos
ou alma

mantenha contigo
e venha fazer
barulhos












[junior ferreira]

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

[...]



















Há um momento singular
o qual sobrepuja toda a razão
e te acolhe - naquela cadeira vazia

Por um breve momento
acha que foram anos-luz
que perdera
refletindo se o que havia falado faz sentido
ou se era mesmo a sua arrogância ponderando


















[junior ferreira]

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[...]











Tento imaginar um jeito
de lidar com os escombros

Traço linhas sobre o perfil de quem tanto me surpreende
A falta de tempo me surpreende
A sua intolerancia ao esquecimento
e ao afeto - ja não existente - não me extasiam mais

Tenho que o medo
é como a onda
que por sua vez me alcança em intensa ou baixa energia

As ondas vêm com o humor
guardadas em caixinhas
Algumas delas ainda estão embaixo da minha cama
esperando serem abertas
outras já não quero abrir

Ignoro a sua existência
Contudo, se ignoro, me torno ainda mais controverso
por escrever algum fato que venha de sua vida
ou nossa
ou nada
















[junior ferreira]




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

[...]


















Minha felicidade vem crescendo
desde o final de Agosto
Juntando subsequentes historias
a cada xícara de cafe

Estou colecionando amigos desde o inicio de Setembro
colecionando flores
antes do inicio da primavera
revelando, para mim mesmo, o que tem de mais natural
nesse planeta















[junior ferreira]

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

[...]


















Gato doido
pula a janela
e ironicamente encosta seu rabo em minhas pernas

Gato manso
quer carinho, quer lamber os meus dedos
sugar toda minha energia
e sair pela porta de trás da cozinha
por onde eu escondi as ratoeiras
onde começa uma gigante sombra
que corre por toda a varanda
enfeitada  pelos galhos da
da imensa árvore
que se tornam a segunda casa
do Gato afoito
















[junior ferreira]

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[...]












Vai virar pedra, Eu sei
aquele anjo que me trazia pão de queijo pela manha,
que jurava flores na madrugada
e ardia em paixão ao me ver

Vai virar poeira, a beleza que cresceu numa desilusão
e voltar em chamas
junto aquela tarde quente do ultimo verão

Vai virar pedra, o coração que um dia
foi carne
vermelho
margarida















[junior ferreira]

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

[...]



















Olhou-me pelos ombros
como quem me conhecesse
Sorria por dentro
como se eu fosse seu filho
neto
ou alguém bem próximo

Havia saudade nos seus olhos
como se tivesse algo para me contar
compartilhar, talvez

De longe, acenou a cabeça - educadamente, claro, por me fitar por alguns minutos
E entrou no ônibus
com aquela feição materna
feita o relâmpago
que grita a memoria
deixando-me saudoso
ao lembrar da minha Mãe
Pai e irma.


















[junior ferreira]

terça-feira, 13 de agosto de 2013

[...]















Veio sem barulhos,
com sua barba ainda não feita
Passou por mim
feito uma memoria perdida
e me trouxe aquele cheiro
que se esconde atras do pescoço
perto do ouvido direito
o qual desce pela nuca
e desemboca no ombro

Quando virou as costas
deixou-me flores
ao invés da saudade
















[junior ferreira]

quarta-feira, 31 de julho de 2013

[...]





















Por mais suja
ou aspera
fosse a pintura do seu carro
queria suavizar as minhas mãos por através da sua lata velha
imaginando tocar suas pernas, pescoço, barba - tudo aquilo que me aquecia -
sentir cada espaço ou mesmo o cheiro de estrada que carrega em sua dimensão
e assimilar ao seu corpo - toda essa saudade -
o qual não marca mais o lado esquerdo do meu colchão
















[junior ferreira]

sábado, 27 de julho de 2013

[...]














E você vem de longe
troca os seus segredos comigo
os seus dias - que por mais que os ache chatos, penso que são melhores que os meus

Me manda flores em forma de musica
e se eu não agradecesse - sem querer falar o quão bela é sua voz - não seria eu

















[junior ferreira]

sexta-feira, 19 de julho de 2013

[...]





















Achava impossível, enxergar o silêncio
até conhecê-lo
entrar em seu carro velho
ouvir suas músicas
dormir em seu colo
e dizer um simples Adeus num final de domingo

Inalcançável, eu pensava
até lhe introduzir Edward Hopper
observar sua cara de espanto
e perceber que traduzira - em seus olhos - o mesmo silêncio
captado nas telas pelo artista

















[junior ferreira]

quarta-feira, 17 de julho de 2013

[...]


















E quando acordo - em certos dias - sinto aquela ausência
que vem junto ao gosto do bolo de laranja
aos barulhos que entravam pela janela do meu quarto
ao cheiro de cafe preparado pela minha Mãe
a brisa que sentia na casa de campo
o cheiro do pão de queijo me esperando
na mesa da varanda

Sinto nesses momentos
a presença de uma ausência
que me enche o peito
e me tira o sono
me trazendo aquela saudade
de coisas que não existem mais.















[junior ferreira]

domingo, 30 de junho de 2013

[...]












Essa dor da espera
do descaso
de tudo aquilo que me cerca e me tira o sono
nunca cessa

Nao quero parar por aqui
nao sem sentido
quero ir além
fazer com que o dia viaje os instantes somados em mais de 24 horas

E se apodrecer nesse momento
que seja em sua alma
de maos dadas
em seu poema

Nas páginas do seu corpo





















[junior ferreira]

quinta-feira, 30 de maio de 2013

[...]
























Pode ser durante o dia,
o nosso casamento.

Ou num passeio de barco
pela orla,
pela estrada,
na escada,
no meio do nada,
em algum lugar,
No qual haja um começo de dia
vermelho
e efêmero,
como os seus lábios.























[junior ferreira]

segunda-feira, 27 de maio de 2013

[...]




















Por favor, deixe a porta aberta
A porta da sala, pode deixar aberta

Vai embora
e volte
naquele mesmo desalinho que desenha suas pernas

Mesmo indo tao longe
em chamas ou em lágrimas
Vê se volta















[junior ferreira]

quarta-feira, 22 de maio de 2013

[...]

















Foi lá, naquela rua perto do pátio da escola
na qual levamos o primeiro chingo
o primeiro "saímos correndo"
desesperados
rindo de coisas que não tinham sentido
achando que haviam pessoas nos seguindo para nos denunciar aos nossos pais
quando não tínhamos feito nada

O que queríamos, na verdade, eram aqueles pêssegos
mas estavam por detrás do muro de arame farpado
gritamos para a dona da casa aparecer
perguntamos sobre as frutas - que nos chamaram tanta atenção
O que ganhamos em troca foi uma resposta bem sucinta - não bem uma resposta, mas outra pergunta

"O quintal da sua casa é de concreto?"

E com aquela pergunta, por um breve momento, nossa alegria se esvaiu
Nao tínhamos resposta para algo tão óbvio
cruel
e verdadeiro

Alguém, lá no fundo, entre a nossa turma, gritou algo inusitado
Uma não esperada resposta, e o que de fato não pode ser dito como uma resposta
mas sim, apenas um grito em resposta a pergunta da Dona da casa
"VELHA" foi o que ouvimos alguém gritar
Quando me dei conta, era o ultimo a começar a correr
Fomos correndo desesperadamente para nossas casas
rindo sem parar
éramos cinco
éramos crianças
descalços e sem medo

Hoje
somos apenas nós mesmos
distantes em sonho e em vida

Somos apenas um


















[junior ferreira]

domingo, 19 de maio de 2013

[...]


















Estou com sintomas que apavoram uma metade do meu corpo
a outra metade eu não consigo explicar

Como se minha pele evaporasse
e toda a leveza do meu corpo
sumisse

uma metade se traduz em medo
quando a outra metade quer existir















[junior ferreira]

terça-feira, 14 de maio de 2013

[...]
















Ei, você viu?
Pegaram o cachorro da vizinha,
colocaram um cravo para crescer dentro do nariz,
plantaram uma árvore de ponta cabeça,
acharam uma cachoreira de vidro, você viu?

Não, não viu.
Estava ocupado demais
dormindo,
cantando,
passeando por aí em sua própria imaginação
na qual o mundo
assume a ideia de que o amor é uma efemeridade do dia



















[junior ferreira]

segunda-feira, 13 de maio de 2013

[...]




















Vai ver é só saudade
Não venha, se não for para fazer sentido























[junior ferreira]

segunda-feira, 22 de abril de 2013


[...]
















É você, gatinho
Aquele tipo de herói com quem eu sempre sonho
Que atravessa a floresta
o rio
e o campo em ruinas, a cavalo

Que caminha do outro lado da rua
em passos largos
rápidos
usando aquele casaco cinza, com as mãos no bolso
e um olhar que não se deixa perseguir

Me leve com você, gatinho
para longe desse lugar
Pode ser em sua motocicleta
bicicleta
borboleta
qualquer coisa que tenha asas e saiba voar
que reserve um lugar para dois
que seja grandioso e singular
como os seus sorrisos que
brotaram em meus jardins
e se transformaram nas margaridas de todas as manhãs


















[junior ferreira]













domingo, 14 de abril de 2013

[...]
















Encontro-me nessa necessidade de evoluir
de sorrir quando sou vertigem
tornar-se flor quando apenas ser semente basta

Ver-me singular, quando sou apenas barulhos




















[junior ferreira]

quarta-feira, 3 de abril de 2013

[...]





















Nao há memória na cidade, nao mais

A rua, na qual antes eu jogava bola
levantava poeira e gritava feito maluco
Hoje é asfalto
Ninguém mais pega bicho-de-pé - ou nem sabe o que é isso
E pensar que no quintal - no qual eu roubava goiaba - hoje é concreto
reluto pelas outras coisas que se emolduraram no tempo
sem o respeito
pela arte, pela historia
 
A Matriz esta cercada de prédios
Os museus nao passam de poeira
Os vizinhos nao se cumprimentam mais
A ignorancia manda beijos e o por do sol se reflete nos bilhoes de prédios que se erguem pela cidade.






















[junior ferreira]

terça-feira, 2 de abril de 2013

[...]















Vou dizer o seu nome na escuridão
escrever durante horas as palavras pelas quais tanto procura

E se tatuar o Vento em minhas costas
verei suas rabiolas passarem em meu corpo
quando neste mesmo vento, empinar sua pipa
























[junior ferreira]

domingo, 24 de março de 2013

[...]



















Há vagas

Precisa-se de alguém que ame desesperadamente



























[junior ferreira]

quarta-feira, 20 de março de 2013

[...]


















Queríamos um final de semana
com direito a pipoca e algodão doce

Passar o dia na praça tocando violão
ou tomar um vinho na grama
trocando risadas e assuntos dos quais nos passam despercebidos pela semana

O que conseguimos, foi ver os fogos de artificio, de longe, de dentro do trem
Passavam as cores por entre os vidros, refletiam nos olhares
E a sensação de ver algo inusitado encher o céu noturno com inúmeras luzes
foi algo maior do que apenas uma sexta feira

















[junior ferreira]

sábado, 16 de março de 2013

[...]























Acordado entre quatro paredes imaginando o que aconteceria em um dia inteiro
Contando as palavras, retirando cada acento e corrigindo cada erro banal
Nao faria nada
Mas é por voce

Tudo em seu limite, clareia tudo ao redor - sem limites
Move cada paisagem, orienta o vento de acordo com o seu humor
Sente o pensamento expandir no cerebro e correr pela pele
Sente o que sinto, esta onde eu estou
Alguns chamam de pensamento equivocado, outros alma gemea
O que denomino carinho, as vezes se desloca no tempo, e se perde no mesmo
Preciso acreditar - mais
Encontrar aquilo que chamam de foco
Visualizar o que seria gostar mais de mim mesmo















[junior ferreira]


segunda-feira, 4 de março de 2013

[...]
















Não estava mesmo convicto ou vinha guardando pensamentos positivos sobre nós - talvez, na gaveta, o que eu guardara foram apenas aquelas cartas. O mesmo que arrebata a minha imensa surpresa e me faz refletir entre alguns bilhões e bilhões é aquela coisa que nos mostra o quanto a vida é mutável, seja na alma, seja a personalidade, ou o quanto estamos sujeitos a diversas mudanças. Não me interessa o que a vizinha acha do cabelo da outra vizinha, não me importa quantas galáxias há nesse universo, quantas estrelas estão morrendo neste momento, ou quantos satélites habitam naqueles planetas. O que queria saber é onde o amor termina - e se termina - onde a paixão começa, se é possível comprar pacotes de alegria ou respeito nos supermercados - assim como compramos cigarros ou vinho ou o que esteja a venda - se os arredores nos permitem ser gentis e se eles se permitem para o mesmo, quero saber até onde vai a nossa vida e se de lá voltaremos pra cá novamente, para amarmos, ou amarmos mais ou mesmo aprender a amar.






















[junior ferreira]

sábado, 2 de março de 2013

[...]

















Bendita foram as luzes que iluminaram o seu berço em seu nascimento
Benditas luzes que me iluminam
em detrimento da poeira
e de outras desilusões
lançadas aos meus olhos
durante o dia
ou mesmo na madrugada veloz





















[junior ferreira]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

[...]




















E aquela vontade de voltar pra cama - após comer dois pedaços frios de pizza - e me enrolar em seus braços, me espreita pela madrugada afora, quando de fato voce se encontra longe dos meus lençóis.




















[junior ferreira]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

[...]















Enquanto o dia se esvai entre cebolas
alho, salada
mushrooms
e uma pitada de sal
A voz de Djavan
espalha Açaí pela casa
entre bilhoes e bilhoes de sabores, os quais tornam
essa efemeridade ainda mais nostálgica





















[junior ferreira]

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

[...]















Não quero saber o que tem na torta de limão da minha avó
não quero aprofundar nos sorrisos que mascaram o azedo deste sabor
e enterram a leveza e o tom esverdeado numa só garfada

















[junior ferreira]

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

[...]










E a vida segue

Mistura suas sensações de querer voltar atras e refazer o novo com o que poderia ser feito no futuro

As cartas
o toque

os olhares
tudo aquilo que sonha ou sente medo se transforma no fim em algo palpável

Pede alento
Esquecimento
Pede carinho e pede paz















[junior ferreira]

sábado, 15 de dezembro de 2012

[...]

















Agora é minha vez de te levar flores
minha vez de sentir saudades.





















[junior ferreira]

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[...]
























O meu lençol amassado tinge de azul
o branco do quarto
o vazio das cadeiras
a nudez que se esquiva pela sala
e tudo aquilo que se esvai em cores
as quais evitamos enxergar.




















[junior ferreira]

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[...]



















Tudo o que esperei foram as cartas pela manhã
Sua verdade cuspida num papel amassado
feito a margarida que marca as folhas do livro

Contudo, o que de fato recebi foram as confissões que segurava no bolso
junto ao relógio de sua tia-avó
que falecera feito o seu afeto
pendurado ao avesso
numa tarde
rápida
de verão.





















[junior ferreira]

terça-feira, 20 de novembro de 2012

[...]





















Como o avesso
passou pela minha porta de olhos bem abertos
Deixou flores em meu quintal
e correu para longe do muro
levando meu amor no bolso, pelo o amanhã, através das ondas
que só chegarão em Março

















[junior ferreira]

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

[...]

























Deixe a sua imaginação fluir sob a minha intensidade
vicie em meus sorrisos - por mais que eu negue essa atitude -
e me leve para cavalgar em sua garupa, naquele teu cavalo
que cria asas quando precisamos fugir
ou inventar algum lugar apenas nosso.




























[junior ferreira]

terça-feira, 6 de novembro de 2012

[...]


















Entre duas verdades
existe aquela que busco por minha própria vontade
e outra que sai de seus lábios
prefiro a menos dolorida.


















[junior ferreira]

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

[...]


















A paixão que te penetra
é a mesma que me dá forças para levantar da cama
Aquilo que provém do coração
não menos nos preenche, incandesce

Ás vezes o que segue o desconforto do desabafo
apavora, machuca
Contudo, o que de fato destrói
é o cansaço
a fome
tristeza
câncer
ácido cianídrico

























[junior ferreira]

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

[...]

















Convém ao seu desdém
dar sinfonia à ironia que perpetua em sua língua
E por essa razão
exijo aos elementos deste mundo
que comecem a fabricar pílulas
para curar esse desassossego
essa contradição em termos.




















[junior ferreira]

domingo, 21 de outubro de 2012

[...]




















Pimentas vermelhas
tonalizam o resto da cozinha
morrem com o branco das paredes e do teto
Mesmo que a vertigem da tarde apareça num vaso de pimentas
o sol continua o mesmo, o que muda é a essência dos raios
a intensidade com a qual eu sinto a luz.
















[junior ferreira]

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

[...]




















E mesmo com o violão entre as pernas
treinando blues
rock
faço o que eventualmente deveria ser feito
absorvo a harmonia
e me encaixo naquele lugar que alguns nomeiam
solidão


















[junior ferreira]

domingo, 14 de outubro de 2012

[...]


















As cores parecem imagens distorcidas de retratos já guardados na ultima caixa do armário
Mudam o que eventualmente eu consigo me lembrar
Transformam aquilo que se impregnou na cabeça
nossos sonhos
nossa vida
a sua vida
a minha

As cores são sua voz





















[junior ferreira]

sábado, 13 de outubro de 2012

[...]




















E essas palavras que saíram de dentro
evocaram algum sarcasmo

O que eventualmente surge do espanto
surge para ferir a quem o escuta
Se o passado fosse apenas um retrato
de nada valeria nosso presente























[junior ferreira]

terça-feira, 9 de outubro de 2012

[...]

















A chuva sutilmente caia lá fora,
enquanto, normalmente, meu café esfriava à mesa
Veio à tona, a saudade da minha cadela
os dias em que corria descalço pela Rua Tupis
tudo o que eventualmente se transformou nesse tempo impalpável.























[junior ferreira]

sábado, 6 de outubro de 2012

[...]
























E mesmo nessa fossa,
os barulhos enfatizam seu nome,
os rumores enfeitam sua áurea.
E o que existe de fato está contemplado nessa efemeridade do dia,
na vertigem da tarde, nalguma noite veloz.

Em alguma parte alguma.

















[Junior Ferreira]

terça-feira, 2 de outubro de 2012

[...]
















O vento leva à você
as pétalas das flores que brotaram do solo infértil.

O vento traz de você, o cheiro do ultimo banho
e as mensagens que nem mesmo os poetas mais viscerais, sensíveis
conseguem decodificar.
















[junior ferreira]




domingo, 30 de setembro de 2012

[...]



















São os resmungos e barulhos que gritam por aí essa saudade inexorável,
essa ilusão imensurável, um amor que mais se parece com um pedaço de papel amassado escrito eu te amo.






















[junior ferreira]
[...]






















                   Espontaneidade que se revela como a
                   corola da fêmea flor, que geme - em sua percepção auditiva - ao desabrochar a vida
Claro, como outras vertigens que aparecem no resto do dia
e somem pressurosas, deixando sequelas e convertendo a eternidade em alguns poucos minutos

São as horas que nos mostram a verdade
são as horas de sua distância
Aprecio o seus segundos
e invejo a maneira como inventa suas próprias histórias
na medida do seu corpo, no desalinho do seu tempo
























[junior ferreira]

terça-feira, 18 de setembro de 2012

[...]























Se esqueça
E se aqueça pela madrugada com este café
Espere as frestas do sol atravessarem, cortarem o chão pela janela
Iluminando a poeira e as coisas que correm através dos feixes de luz.



















[junior ferreira]

domingo, 16 de setembro de 2012

[...]






















É difícil, mas ainda se alcança o entendimento
do lado cego - aquele mesmo lado que negamos existir quando não queremos enxergar alguma verdade.

Nem que a vida lhe force a vê-lo,
há uma hora na qual os barulhos deixam de ser táteis, e se tornam visíveis.





















[junior ferreira]

domingo, 2 de setembro de 2012

[...]




















Nesse fim de tarde, me pergunto sobre a possibilidade de o sol nascer iluminando
o dia como se fossem quatro da tarde, com a mesma sombra sob cada árvore,
e com o mesmo vento que sopra o rosto
quando ando por aí
sem destino ou compromisso
em minha bicicleta.
















[junior ferreira]