[...]
Tomamos um café
para nos livrar daquele cansaço
dos corpos grudados na ultima noite
daquele suor que não seca
Tomamos um café numa avenida
um de frente para o outro
e mesmo assim
seus olhos não perceberam que eu estava lá
[junior ferreira]
quinta-feira, 19 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
[...]
Desde fevereiro
planto flores em seu jardim
Todas elas, contudo, crescem
somente sob os meus olhares
e o meu jeito de regar
Suas camisas azuis
voam do varal
e vertiginosamente
caem
sobre o meu jardim
amassando as margaridas
lírios
beija-flores
borboletas
pés-de-moleque
Planto flores
desde fevereiro
em seu quintal
Contudo, somente as minhas
sementes crescem
e se espalham
no jardim
o qual
inventara
para
mim
mesmo
[junior ferreira]
Desde fevereiro
planto flores em seu jardim
Todas elas, contudo, crescem
somente sob os meus olhares
e o meu jeito de regar
Suas camisas azuis
voam do varal
e vertiginosamente
caem
sobre o meu jardim
amassando as margaridas
lírios
beija-flores
borboletas
pés-de-moleque
Planto flores
desde fevereiro
em seu quintal
Contudo, somente as minhas
sementes crescem
e se espalham
no jardim
o qual
inventara
para
mim
mesmo
[junior ferreira]
segunda-feira, 2 de junho de 2014
[...]
Acordamos numa manhã
sem vento
Seu cheiro, de quem dormira por oito horas seguidas
me abraçava naquele calor
matinal
De alguma forma
o suor do seu corpo
sua transpiração
me fizeram perceber
um odor diferente
daquilo que sentia quando éramos dois
A beleza do seus suspiros
e do seu jeito de abrir os olhos
acabaram-se naquela mesma
manhã
sem pausa
e sem conversa
Os trovões da última noite
permaneceram sob os lençóis
e se romperam em silêncio
libertando apenas o som
de nossas respirações
pelo resto do
dia
[junior ferreira]
Acordamos numa manhã
sem vento
Seu cheiro, de quem dormira por oito horas seguidas
me abraçava naquele calor
matinal
De alguma forma
o suor do seu corpo
sua transpiração
me fizeram perceber
um odor diferente
daquilo que sentia quando éramos dois
A beleza do seus suspiros
e do seu jeito de abrir os olhos
acabaram-se naquela mesma
manhã
sem pausa
e sem conversa
Os trovões da última noite
permaneceram sob os lençóis
e se romperam em silêncio
libertando apenas o som
de nossas respirações
pelo resto do
dia
[junior ferreira]
domingo, 1 de junho de 2014
[...]
Você, vem de longe
lá do Maranhão
e lança em minha manhã
a verdade sobre as cores
mais precisamente sobre a minha cor favorita, azul
Quando o azul não desbotava
eu era outro
vivia por qualquer sorriso
sentia qualquer calafrio freneticamente percorrer o meu corpo
Fui outro, quando o azul era azul
e as outras cores, ínfimas
Sou outro quando enxergo outras cores
do mesmo espectro
ou mesma sintonia
Quando fui outro
o azul de outrem
era iluminado
e as minhas manhãs
mais floridas
[junior ferreira]
Você, vem de longe
lá do Maranhão
e lança em minha manhã
a verdade sobre as cores
mais precisamente sobre a minha cor favorita, azul
Quando o azul não desbotava
eu era outro
vivia por qualquer sorriso
sentia qualquer calafrio freneticamente percorrer o meu corpo
Fui outro, quando o azul era azul
e as outras cores, ínfimas
Sou outro quando enxergo outras cores
do mesmo espectro
ou mesma sintonia
Quando fui outro
o azul de outrem
era iluminado
e as minhas manhãs
mais floridas
[junior ferreira]
quarta-feira, 7 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
[...]
Foi numa noite
que nos vimos
Mas foi num abraço
que nos
apaixonei
Num carinho
que nos
aqueci
Numa dessas redes coloridas
na qual passamos a tarde juntos
que os nossos olhos
brilhou
Foi numa tarde qualquer
que nós
percebi
que o todo
nunca foi completo
sempre foi a metade de um todo
a metade singular
sempre foi apenas
Eu
apenas
[junior ferreira]
Foi numa noite
que nos vimos
Mas foi num abraço
que nos
apaixonei
Num carinho
que nos
aqueci
Numa dessas redes coloridas
na qual passamos a tarde juntos
que os nossos olhos
brilhou
Foi numa tarde qualquer
que nós
percebi
que o todo
nunca foi completo
sempre foi a metade de um todo
a metade singular
sempre foi apenas
Eu
apenas
[junior ferreira]
domingo, 4 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
[...]
Digo ao derradeiro poema
que seja veloz
e nunca amargo
Peço ao derradeiro poema
para ser paciente
naqueles momentos que tenho amnésia
Despeço-me do ultimo poema
com um sorriso no rosto
e uma dor forte no peito
Diga ao poema
que irei comprar flores
com a cor dos olhos dele
e com cheiro de saudade
[junior ferreira]
Digo ao derradeiro poema
que seja veloz
e nunca amargo
Peço ao derradeiro poema
para ser paciente
naqueles momentos que tenho amnésia
Despeço-me do ultimo poema
com um sorriso no rosto
e uma dor forte no peito
Diga ao poema
que irei comprar flores
com a cor dos olhos dele
e com cheiro de saudade
[junior ferreira]
terça-feira, 22 de abril de 2014
[...]
Por detrás
dos diálogos que circulam a cozinha
vejo que minhas preocupações
são menores do que a quantidade de tomates
dentro da salada
que o cheiro de alho que circula pela casa
ínfimas em relação ao azedo do vinagre
banais
se comparados ao gosto do bolo
que acabara de sair
do forno
[junior ferreira]
Por detrás
dos diálogos que circulam a cozinha
vejo que minhas preocupações
são menores do que a quantidade de tomates
dentro da salada
que o cheiro de alho que circula pela casa
ínfimas em relação ao azedo do vinagre
banais
se comparados ao gosto do bolo
que acabara de sair
do forno
[junior ferreira]
sexta-feira, 18 de abril de 2014
[...]
Estava por demais inquieto
pensando se veria ou não
o por-do-sol
novamente
por demais ansioso
para descobrir a ligação
entre o curinga
e Deus
entre o mistério do jogo Paciência
e a verdadeira existência
da paciência em si - aquela que vai além da palavra
acima do peso que pondera a própria imagem
que percorre a célula e desmembra o DNA
revelando o verdadeiro enigma
de sua essência
Sou por demais louco
não racional
não lógico
sou homem, feito de carne
e de imaginação
O que me resta é a ideia
e a vontade de me reinventar
a todo momento
[junior ferreira
Estava por demais inquieto
pensando se veria ou não
o por-do-sol
novamente
por demais ansioso
para descobrir a ligação
entre o curinga
e Deus
entre o mistério do jogo Paciência
e a verdadeira existência
da paciência em si - aquela que vai além da palavra
acima do peso que pondera a própria imagem
que percorre a célula e desmembra o DNA
revelando o verdadeiro enigma
de sua essência
Sou por demais louco
não racional
não lógico
sou homem, feito de carne
e de imaginação
O que me resta é a ideia
e a vontade de me reinventar
a todo momento
[junior ferreira
sexta-feira, 4 de abril de 2014
[...]
Fim de tarde veloz
vermelho
relampeja sua essência
em diversas cores
a cada
dia
Luz
percorre
o espaço e o tempo
e toda a imensidão
incalculável
do universo
até lançar o derradeiro
feixe eletromagnético
em seu
corpo
sua camisa
rasgada
e suja de suor
seus barulhos
em forma de
fumaça
e sua presença
embutida nos
últimos
relâmpagos
da noite
[junior ferreira]
Fim de tarde veloz
vermelho
relampeja sua essência
em diversas cores
a cada
dia
Luz
percorre
o espaço e o tempo
e toda a imensidão
incalculável
do universo
até lançar o derradeiro
feixe eletromagnético
em seu
corpo
sua camisa
rasgada
e suja de suor
seus barulhos
em forma de
fumaça
e sua presença
embutida nos
últimos
relâmpagos
da noite
[junior ferreira]
quinta-feira, 27 de março de 2014
[...]
É um paradoxo
uma existência
e ao mesmo tempo
inexistência
de um único
repetitivo acontecimento
Em alguma parte
e
com uma velocidade
e violência
incríveis
apenas a Solidão
lhe abraça
e lhe sorri a ironia
devido ao exímio
fato
de não estar completamente
sozinho
em nenhuma parte
alguma
[junior ferreira]
É um paradoxo
uma existência
e ao mesmo tempo
inexistência
de um único
repetitivo acontecimento
Em alguma parte
e
com uma velocidade
e violência
incríveis
apenas a Solidão
lhe abraça
e lhe sorri a ironia
devido ao exímio
fato
de não estar completamente
sozinho
em nenhuma parte
alguma
[junior ferreira]
segunda-feira, 24 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
[...]
Existe uma dor
que te abate
e te cega
Ensurdece-te por alguns momentos
instantes esses
que tenta entender
o porquê de tal coisa existir
Fraqueza?
Nada
Acho que a sua ausência
mesmo na sua presença
desperta um medo
algo que machuca
e corrói
cronicamente
vindo daquela vontade
de não estar
sozinho
e de não se acabar na
solidão
[junior ferreira]
Existe uma dor
que te abate
e te cega
Ensurdece-te por alguns momentos
instantes esses
que tenta entender
o porquê de tal coisa existir
Fraqueza?
Nada
Acho que a sua ausência
mesmo na sua presença
desperta um medo
algo que machuca
e corrói
cronicamente
vindo daquela vontade
de não estar
sozinho
e de não se acabar na
solidão
[junior ferreira]
sexta-feira, 21 de março de 2014
[...]
Foi quase na entrada
da viela
que ouvi o nome de uma
árvore
a qual
com toda certeza
passou pela minha imaginação
quando eu era criança
Desta árvore - segundo uma garotinha que estava ao meu lado
eu poderia retirar
qualquer sabor de sorvete
e também
a "casquinha"
o cone de mastigar
A sorveteira
não faz sombras
Refresca, contudo
a criação e
o brilho da inocência
[junior ferreira]
Foi quase na entrada
da viela
que ouvi o nome de uma
árvore
a qual
com toda certeza
passou pela minha imaginação
quando eu era criança
Desta árvore - segundo uma garotinha que estava ao meu lado
eu poderia retirar
qualquer sabor de sorvete
e também
a "casquinha"
o cone de mastigar
A sorveteira
não faz sombras
Refresca, contudo
a criação e
o brilho da inocência
[junior ferreira]
domingo, 16 de março de 2014
[...]
A dor, a qual havia mencionado
(na sexta de manhã)
foi aquela devido a uma
condição física
cruel
não tão efêmera o quanto
eu gostaria
Uma ruptura
a qual tornara suas palavras
algo banal de se ouvir
num domingo de manhã
sentado na porta
da minha casa
conversando
sem olhar diretamente para o meu rosto
ouvindo a vizinha gritar
e fingir que
tudo aquilo
era mais um dia
qualquer
[junior ferreira]
A dor, a qual havia mencionado
(na sexta de manhã)
foi aquela devido a uma
condição física
cruel
não tão efêmera o quanto
eu gostaria
Uma ruptura
a qual tornara suas palavras
algo banal de se ouvir
num domingo de manhã
sentado na porta
da minha casa
conversando
sem olhar diretamente para o meu rosto
ouvindo a vizinha gritar
e fingir que
tudo aquilo
era mais um dia
qualquer
[junior ferreira]
sábado, 8 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
[...]
Algumas vezes
apenas o violão basta
E quando a vida já não é suficiente
e a alma um inventário pequeno
nada mais basta
para o momento
Entre minhas pernas
e ninguém mais
não há nada que traduz
o som que se emana
das cordas do meu corpo
que agora fingem
fazer parte de uma frequência ininteligível
ligada ao sentimento
do meu corpo
[junior ferreira]
Algumas vezes
apenas o violão basta
E quando a vida já não é suficiente
e a alma um inventário pequeno
nada mais basta
para o momento
Entre minhas pernas
e ninguém mais
não há nada que traduz
o som que se emana
das cordas do meu corpo
que agora fingem
fazer parte de uma frequência ininteligível
ligada ao sentimento
do meu corpo
[junior ferreira]
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
[...]
É uma permanente mudança
Contudo, a casa mantem a velha e mesma estrutura óssea
Os móveis, tácitos em suas antigas posições
os talheres, dentro de cada buraco da gaveta
os papéis
as cadeiras
e até mesmo o par de chinelos - os quais ele deixara para trás
estão espalhados pela casa
Despedir-se nessa tarde veloz
equivale a se afundar na vertigem do dia
pelos cantos da casa
nos quais sua ausência se consome em paredes
corredor
porta
janelas
E a saudade, numa simples vontade de se ter uma rede na varanda
À um grande amigo e irmão que acabara de dizer "até logo"
[junior ferreira]
É uma permanente mudança
Contudo, a casa mantem a velha e mesma estrutura óssea
Os móveis, tácitos em suas antigas posições
os talheres, dentro de cada buraco da gaveta
os papéis
as cadeiras
e até mesmo o par de chinelos - os quais ele deixara para trás
estão espalhados pela casa
Despedir-se nessa tarde veloz
equivale a se afundar na vertigem do dia
pelos cantos da casa
nos quais sua ausência se consome em paredes
corredor
porta
janelas
E a saudade, numa simples vontade de se ter uma rede na varanda
À um grande amigo e irmão que acabara de dizer "até logo"
[junior ferreira]
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
[...]
Podemos ir voando
caso o chão esteja quente e não pudermos andar descalços
Quem sabe isso num domingo qualquer
num barquinho de papel
ou deitados na grama
lendo os nossos olhares
Fazendo com que cada parte de mim mesmo
se torne menos banal
mais intenso
diferente
voando em seus braços
feito uma borboleta
Não importa a hora
a cor
se é a pé ou a cavalo
Vem pra cama
Vem dormir
[junior ferreira]
Podemos ir voando
caso o chão esteja quente e não pudermos andar descalços
Quem sabe isso num domingo qualquer
num barquinho de papel
ou deitados na grama
lendo os nossos olhares
Fazendo com que cada parte de mim mesmo
se torne menos banal
mais intenso
diferente
voando em seus braços
feito uma borboleta
Não importa a hora
a cor
se é a pé ou a cavalo
Vem pra cama
Vem dormir
[junior ferreira]
domingo, 16 de fevereiro de 2014
[...]
Joaninhas são machos
viris
ferozes
predadores vorazes
Só se disfarçam por detrás de sua casca avermelhada
para iludir a presa de sua delicadeza inexistente
Foi o que eu ouvi
entre todo aquele alvoroço
uma explicação de algo que talvez tentasse traduzir
a sua própria personalidade
[junior ferreira]
Joaninhas são machos
viris
ferozes
predadores vorazes
Só se disfarçam por detrás de sua casca avermelhada
para iludir a presa de sua delicadeza inexistente
Foi o que eu ouvi
entre todo aquele alvoroço
uma explicação de algo que talvez tentasse traduzir
a sua própria personalidade
[junior ferreira]
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
[...]
O mundo é tão ridículo, tão estranho, as pessoas não te esperam, elas correm. Todos têm pressa, todos são eles mesmos e ninguém mais. Quanto menos se espera, mais desculpas inventam para te persuadir de que sua presença é interessante, mas não viável para o momento. Alguns dizem que já tiveram momentos felizes, outros dizem terem aprendido que esses momentos são mais voláteis quanto a presença das pessoas pelas quais nos apaixonamos. O que na verdade acontece é que somos todos feitos de uma memória viva em constante amnésia e dor. Lateja cada lado da minha cabeça só de pensar o quão você é ridículo. Não sabe a intensidade de como o vejo ridículo, e nem o limite para a própria palavra que o adjetiva. Odeio cartas de amor, odeio quem se auto assume emotivo, odeio você o qual debocha da minha poesia. Se não é para valer a pena, não se incomode nem em trocar de camisa, aquela camisa azul a qual grudou em teu corpo. Se não é para fazer sentido, não venha, fique por lá. Tenho saudades de viver, urgência em ser feliz.
[Junior Ferreira]
O mundo é tão ridículo, tão estranho, as pessoas não te esperam, elas correm. Todos têm pressa, todos são eles mesmos e ninguém mais. Quanto menos se espera, mais desculpas inventam para te persuadir de que sua presença é interessante, mas não viável para o momento. Alguns dizem que já tiveram momentos felizes, outros dizem terem aprendido que esses momentos são mais voláteis quanto a presença das pessoas pelas quais nos apaixonamos. O que na verdade acontece é que somos todos feitos de uma memória viva em constante amnésia e dor. Lateja cada lado da minha cabeça só de pensar o quão você é ridículo. Não sabe a intensidade de como o vejo ridículo, e nem o limite para a própria palavra que o adjetiva. Odeio cartas de amor, odeio quem se auto assume emotivo, odeio você o qual debocha da minha poesia. Se não é para valer a pena, não se incomode nem em trocar de camisa, aquela camisa azul a qual grudou em teu corpo. Se não é para fazer sentido, não venha, fique por lá. Tenho saudades de viver, urgência em ser feliz.
[Junior Ferreira]
domingo, 19 de janeiro de 2014
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
[...]
Como ele era belo, nem fazia questão de arrumar os cabelos ou pentear a barba, era por si uma coisa muito linda. A sua testa reluzia as cinco da tarde, olhando pra fora da janela, no quintal, enquanto eu terminava o meu chá na efêmera visita do sol. Sua bota espalhava o cheiro do trabalho e do cansaço do dia - o qual parecia infinito. Minha boca pedia a boca dele. Meus olhos se enchiam em prazer ao vê-lo. Não fazia esforço para ser gentil ou educado. Sinto falta de como ele preparava o meu café e o assoprava antes de me entregar para não queimar os meus lábios. Esta tudo conectado, hoje, num descompasso. Estamos em dimensões diferentes. Ele tem uma nova vida, família, filhos. Tenho o meu cachorro, minha escola de pintura. Éramos singulares, e hoje sou ainda mais singular. Deitar na cama, despida, e esperar pelo corpo dele tocar o meu, com toda a sinceridade e amor, já não é mais rotina. É lembrança. Crônica. Poesia do Saramago. Tudo menos a verdadeira carne que grudava e deixava aquele suor em minha pele. Viveria em paz se não fosse esse abandono as avessas; essa ilusão sem nexo e sem fim. Teria sossego se não fosse pela minha memória.
[junior ferreira]
Como ele era belo, nem fazia questão de arrumar os cabelos ou pentear a barba, era por si uma coisa muito linda. A sua testa reluzia as cinco da tarde, olhando pra fora da janela, no quintal, enquanto eu terminava o meu chá na efêmera visita do sol. Sua bota espalhava o cheiro do trabalho e do cansaço do dia - o qual parecia infinito. Minha boca pedia a boca dele. Meus olhos se enchiam em prazer ao vê-lo. Não fazia esforço para ser gentil ou educado. Sinto falta de como ele preparava o meu café e o assoprava antes de me entregar para não queimar os meus lábios. Esta tudo conectado, hoje, num descompasso. Estamos em dimensões diferentes. Ele tem uma nova vida, família, filhos. Tenho o meu cachorro, minha escola de pintura. Éramos singulares, e hoje sou ainda mais singular. Deitar na cama, despida, e esperar pelo corpo dele tocar o meu, com toda a sinceridade e amor, já não é mais rotina. É lembrança. Crônica. Poesia do Saramago. Tudo menos a verdadeira carne que grudava e deixava aquele suor em minha pele. Viveria em paz se não fosse esse abandono as avessas; essa ilusão sem nexo e sem fim. Teria sossego se não fosse pela minha memória.
[junior ferreira]
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
[...]
Não me venha falar de amor, não traga barulhos ao meu sossego. Deixe de lado o que te inquieta, viva além das paredes, navegue menos em sua imensidão imaginária
O que existe entre duas pessoas, são quatro braços
duas bocas
dois membros
em apenas um barco
O amor entre dois é desigual
igual a um
efêmero
Singular
[junior ferreira]
Não me venha falar de amor, não traga barulhos ao meu sossego. Deixe de lado o que te inquieta, viva além das paredes, navegue menos em sua imensidão imaginária
O que existe entre duas pessoas, são quatro braços
duas bocas
dois membros
em apenas um barco
O amor entre dois é desigual
igual a um
efêmero
Singular
[junior ferreira]
domingo, 17 de novembro de 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
[...]
"Eu comprei um cavalo" ele disse
"Com a ajuda do Senhor eu comprei meu cavalo, marrom." ele disse novamente
E por onde eu caminhava por aquela estrada de terra
pontos de luz surgiam
janelas de madeira
casas de barro e bambu
Ouvi gritos e sussurros vindos dos fundos de uma casa
por um momento achei que se tratava de uma comemoração
Era uma missa
de sétimo dia, na verdade
No escuro
no meio da poeira
um medo me tomara
Imaginei sendo pego por completo por uma aparição
no meio da estrada
por uma luz divina
Mensagem
Epifania
[junior ferreira]
"Eu comprei um cavalo" ele disse
"Com a ajuda do Senhor eu comprei meu cavalo, marrom." ele disse novamente
E por onde eu caminhava por aquela estrada de terra
pontos de luz surgiam
janelas de madeira
casas de barro e bambu
Ouvi gritos e sussurros vindos dos fundos de uma casa
por um momento achei que se tratava de uma comemoração
Era uma missa
de sétimo dia, na verdade
No escuro
no meio da poeira
um medo me tomara
Imaginei sendo pego por completo por uma aparição
no meio da estrada
por uma luz divina
Mensagem
Epifania
[junior ferreira]
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
[...]
Tento imaginar um jeito
de lidar com os escombros
Traço linhas sobre o perfil de quem tanto me surpreende
A falta de tempo me surpreende
A sua intolerancia ao esquecimento
e ao afeto - ja não existente - não me extasiam mais
Tenho que o medo
é como a onda
que por sua vez me alcança em intensa ou baixa energia
As ondas vêm com o humor
guardadas em caixinhas
Algumas delas ainda estão embaixo da minha cama
esperando serem abertas
outras já não quero abrir
Ignoro a sua existência
Contudo, se ignoro, me torno ainda mais controverso
por escrever algum fato que venha de sua vida
ou nossa
ou nada
[junior ferreira]
Tento imaginar um jeito
de lidar com os escombros
Traço linhas sobre o perfil de quem tanto me surpreende
A falta de tempo me surpreende
A sua intolerancia ao esquecimento
e ao afeto - ja não existente - não me extasiam mais
Tenho que o medo
é como a onda
que por sua vez me alcança em intensa ou baixa energia
As ondas vêm com o humor
guardadas em caixinhas
Algumas delas ainda estão embaixo da minha cama
esperando serem abertas
outras já não quero abrir
Ignoro a sua existência
Contudo, se ignoro, me torno ainda mais controverso
por escrever algum fato que venha de sua vida
ou nossa
ou nada
[junior ferreira]
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
[...]
Minha felicidade vem crescendo
desde o final de Agosto
Juntando subsequentes historias
a cada xícara de cafe
Estou colecionando amigos desde o inicio de Setembro
colecionando flores
antes do inicio da primavera
revelando, para mim mesmo, o que tem de mais natural
nesse planeta
[junior ferreira]
Minha felicidade vem crescendo
desde o final de Agosto
Juntando subsequentes historias
a cada xícara de cafe
Estou colecionando amigos desde o inicio de Setembro
colecionando flores
antes do inicio da primavera
revelando, para mim mesmo, o que tem de mais natural
nesse planeta
[junior ferreira]
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
[...]
Gato doido
pula a janela
e ironicamente encosta seu rabo em minhas pernas
Gato manso
quer carinho, quer lamber os meus dedos
sugar toda minha energia
e sair pela porta de trás da cozinha
por onde eu escondi as ratoeiras
onde começa uma gigante sombra
que corre por toda a varanda
enfeitada pelos galhos da
da imensa árvore
que se tornam a segunda casa
do Gato afoito
[junior ferreira]
Gato doido
pula a janela
e ironicamente encosta seu rabo em minhas pernas
Gato manso
quer carinho, quer lamber os meus dedos
sugar toda minha energia
e sair pela porta de trás da cozinha
por onde eu escondi as ratoeiras
onde começa uma gigante sombra
que corre por toda a varanda
enfeitada pelos galhos da
da imensa árvore
que se tornam a segunda casa
do Gato afoito
[junior ferreira]
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
[...]
Vai virar pedra, Eu sei
aquele anjo que me trazia pão de queijo pela manha,
que jurava flores na madrugada
e ardia em paixão ao me ver
Vai virar poeira, a beleza que cresceu numa desilusão
e voltar em chamas
junto aquela tarde quente do ultimo verão
Vai virar pedra, o coração que um dia
foi carne
vermelho
margarida
[junior ferreira]
Vai virar pedra, Eu sei
aquele anjo que me trazia pão de queijo pela manha,
que jurava flores na madrugada
e ardia em paixão ao me ver
Vai virar poeira, a beleza que cresceu numa desilusão
e voltar em chamas
junto aquela tarde quente do ultimo verão
Vai virar pedra, o coração que um dia
foi carne
vermelho
margarida
[junior ferreira]
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
[...]
Olhou-me pelos ombros
como quem me conhecesse
Sorria por dentro
como se eu fosse seu filho
neto
ou alguém bem próximo
Havia saudade nos seus olhos
como se tivesse algo para me contar
compartilhar, talvez
De longe, acenou a cabeça - educadamente, claro, por me fitar por alguns minutos
E entrou no ônibus
com aquela feição materna
feita o relâmpago
que grita a memoria
deixando-me saudoso
ao lembrar da minha Mãe
Pai e irma.
[junior ferreira]
Olhou-me pelos ombros
como quem me conhecesse
Sorria por dentro
como se eu fosse seu filho
neto
ou alguém bem próximo
Havia saudade nos seus olhos
como se tivesse algo para me contar
compartilhar, talvez
De longe, acenou a cabeça - educadamente, claro, por me fitar por alguns minutos
E entrou no ônibus
com aquela feição materna
feita o relâmpago
que grita a memoria
deixando-me saudoso
ao lembrar da minha Mãe
Pai e irma.
[junior ferreira]
terça-feira, 13 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
[...]
Por mais suja
ou aspera
fosse a pintura do seu carro
queria suavizar as minhas mãos por através da sua lata velha
imaginando tocar suas pernas, pescoço, barba - tudo aquilo que me aquecia -
sentir cada espaço ou mesmo o cheiro de estrada que carrega em sua dimensão
e assimilar ao seu corpo - toda essa saudade -
o qual não marca mais o lado esquerdo do meu colchão
[junior ferreira]
Por mais suja
ou aspera
fosse a pintura do seu carro
queria suavizar as minhas mãos por através da sua lata velha
imaginando tocar suas pernas, pescoço, barba - tudo aquilo que me aquecia -
sentir cada espaço ou mesmo o cheiro de estrada que carrega em sua dimensão
e assimilar ao seu corpo - toda essa saudade -
o qual não marca mais o lado esquerdo do meu colchão
[junior ferreira]
sábado, 27 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
[...]
Achava impossível, enxergar o silêncio
até conhecê-lo
entrar em seu carro velho
ouvir suas músicas
dormir em seu colo
e dizer um simples Adeus num final de domingo
Inalcançável, eu pensava
até lhe introduzir Edward Hopper
observar sua cara de espanto
e perceber que traduzira - em seus olhos - o mesmo silêncio
captado nas telas pelo artista
[junior ferreira]
Achava impossível, enxergar o silêncio
até conhecê-lo
entrar em seu carro velho
ouvir suas músicas
dormir em seu colo
e dizer um simples Adeus num final de domingo
Inalcançável, eu pensava
até lhe introduzir Edward Hopper
observar sua cara de espanto
e perceber que traduzira - em seus olhos - o mesmo silêncio
captado nas telas pelo artista
[junior ferreira]
quarta-feira, 17 de julho de 2013
[...]
E quando acordo - em certos dias - sinto aquela ausência
que vem junto ao gosto do bolo de laranja
aos barulhos que entravam pela janela do meu quarto
ao cheiro de cafe preparado pela minha Mãe
a brisa que sentia na casa de campo
o cheiro do pão de queijo me esperando
na mesa da varanda
Sinto nesses momentos
a presença de uma ausência
que me enche o peito
e me tira o sono
me trazendo aquela saudade
de coisas que não existem mais.
[junior ferreira]
E quando acordo - em certos dias - sinto aquela ausência
que vem junto ao gosto do bolo de laranja
aos barulhos que entravam pela janela do meu quarto
ao cheiro de cafe preparado pela minha Mãe
a brisa que sentia na casa de campo
o cheiro do pão de queijo me esperando
na mesa da varanda
Sinto nesses momentos
a presença de uma ausência
que me enche o peito
e me tira o sono
me trazendo aquela saudade
de coisas que não existem mais.
[junior ferreira]
domingo, 30 de junho de 2013
[...]
Essa dor da espera
do descaso
de tudo aquilo que me cerca e me tira o sono
nunca cessa
Nao quero parar por aqui
nao sem sentido
quero ir além
fazer com que o dia viaje os instantes somados em mais de 24 horas
E se apodrecer nesse momento
que seja em sua alma
de maos dadas
em seu poema
Nas páginas do seu corpo
[junior ferreira]
Essa dor da espera
do descaso
de tudo aquilo que me cerca e me tira o sono
nunca cessa
Nao quero parar por aqui
nao sem sentido
quero ir além
fazer com que o dia viaje os instantes somados em mais de 24 horas
E se apodrecer nesse momento
que seja em sua alma
de maos dadas
em seu poema
Nas páginas do seu corpo
[junior ferreira]
quinta-feira, 30 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
[...]
Foi lá, naquela rua perto do pátio da escola
na qual levamos o primeiro chingo
o primeiro "saímos correndo"
desesperados
rindo de coisas que não tinham sentido
achando que haviam pessoas nos seguindo para nos denunciar aos nossos pais
quando não tínhamos feito nada
O que queríamos, na verdade, eram aqueles pêssegos
mas estavam por detrás do muro de arame farpado
gritamos para a dona da casa aparecer
perguntamos sobre as frutas - que nos chamaram tanta atenção
O que ganhamos em troca foi uma resposta bem sucinta - não bem uma resposta, mas outra pergunta
"O quintal da sua casa é de concreto?"
E com aquela pergunta, por um breve momento, nossa alegria se esvaiu
Nao tínhamos resposta para algo tão óbvio
cruel
e verdadeiro
Alguém, lá no fundo, entre a nossa turma, gritou algo inusitado
Uma não esperada resposta, e o que de fato não pode ser dito como uma resposta
mas sim, apenas um grito em resposta a pergunta da Dona da casa
"VELHA" foi o que ouvimos alguém gritar
Quando me dei conta, era o ultimo a começar a correr
Fomos correndo desesperadamente para nossas casas
rindo sem parar
éramos cinco
éramos crianças
descalços e sem medo
Hoje
somos apenas nós mesmos
distantes em sonho e em vida
Somos apenas um
[junior ferreira]
Foi lá, naquela rua perto do pátio da escola
na qual levamos o primeiro chingo
o primeiro "saímos correndo"
desesperados
rindo de coisas que não tinham sentido
achando que haviam pessoas nos seguindo para nos denunciar aos nossos pais
quando não tínhamos feito nada
O que queríamos, na verdade, eram aqueles pêssegos
mas estavam por detrás do muro de arame farpado
gritamos para a dona da casa aparecer
perguntamos sobre as frutas - que nos chamaram tanta atenção
O que ganhamos em troca foi uma resposta bem sucinta - não bem uma resposta, mas outra pergunta
"O quintal da sua casa é de concreto?"
E com aquela pergunta, por um breve momento, nossa alegria se esvaiu
Nao tínhamos resposta para algo tão óbvio
cruel
e verdadeiro
Alguém, lá no fundo, entre a nossa turma, gritou algo inusitado
Uma não esperada resposta, e o que de fato não pode ser dito como uma resposta
mas sim, apenas um grito em resposta a pergunta da Dona da casa
"VELHA" foi o que ouvimos alguém gritar
Quando me dei conta, era o ultimo a começar a correr
Fomos correndo desesperadamente para nossas casas
rindo sem parar
éramos cinco
éramos crianças
descalços e sem medo
Hoje
somos apenas nós mesmos
distantes em sonho e em vida
Somos apenas um
[junior ferreira]
domingo, 19 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
[...]
Ei, você viu?
Pegaram o cachorro da vizinha,
colocaram um cravo para crescer dentro do nariz,
plantaram uma árvore de ponta cabeça,
acharam uma cachoreira de vidro, você viu?
Não, não viu.
Estava ocupado demais
dormindo,
cantando,
passeando por aí em sua própria imaginação
na qual o mundo
assume a ideia de que o amor é uma efemeridade do dia
[junior ferreira]
Ei, você viu?
Pegaram o cachorro da vizinha,
colocaram um cravo para crescer dentro do nariz,
plantaram uma árvore de ponta cabeça,
acharam uma cachoreira de vidro, você viu?
Não, não viu.
Estava ocupado demais
dormindo,
cantando,
passeando por aí em sua própria imaginação
na qual o mundo
assume a ideia de que o amor é uma efemeridade do dia
[junior ferreira]
segunda-feira, 13 de maio de 2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
[...]
É você, gatinho
Aquele tipo de herói com quem eu sempre sonho
Que atravessa a floresta
o rio
e o campo em ruinas, a cavalo
Que caminha do outro lado da rua
em passos largos
rápidos
usando aquele casaco cinza, com as mãos no bolso
e um olhar que não se deixa perseguir
Me leve com você, gatinho
para longe desse lugar
Pode ser em sua motocicleta
bicicleta
borboleta
qualquer coisa que tenha asas e saiba voar
que reserve um lugar para dois
que seja grandioso e singular
como os seus sorrisos que
brotaram em meus jardins
e se transformaram nas margaridas de todas as manhãs
[junior ferreira]
domingo, 14 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
[...]
Nao há memória na cidade, nao mais
A rua, na qual antes eu jogava bola
levantava poeira e gritava feito maluco
Hoje é asfalto
Ninguém mais pega bicho-de-pé - ou nem sabe o que é isso
E pensar que no quintal - no qual eu roubava goiaba - hoje é concreto
reluto pelas outras coisas que se emolduraram no tempo
sem o respeito
pela arte, pela historia
A Matriz esta cercada de prédios
Os museus nao passam de poeira
Os vizinhos nao se cumprimentam mais
A ignorancia manda beijos e o por do sol se reflete nos bilhoes de prédios que se erguem pela cidade.
[junior ferreira]
Nao há memória na cidade, nao mais
A rua, na qual antes eu jogava bola
levantava poeira e gritava feito maluco
Hoje é asfalto
Ninguém mais pega bicho-de-pé - ou nem sabe o que é isso
E pensar que no quintal - no qual eu roubava goiaba - hoje é concreto
reluto pelas outras coisas que se emolduraram no tempo
sem o respeito
pela arte, pela historia
A Matriz esta cercada de prédios
Os museus nao passam de poeira
Os vizinhos nao se cumprimentam mais
A ignorancia manda beijos e o por do sol se reflete nos bilhoes de prédios que se erguem pela cidade.
[junior ferreira]
terça-feira, 2 de abril de 2013
domingo, 24 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
[...]
Queríamos um final de semana
com direito a pipoca e algodão doce
Passar o dia na praça tocando violão
ou tomar um vinho na grama
trocando risadas e assuntos dos quais nos passam despercebidos pela semana
O que conseguimos, foi ver os fogos de artificio, de longe, de dentro do trem
Passavam as cores por entre os vidros, refletiam nos olhares
E a sensação de ver algo inusitado encher o céu noturno com inúmeras luzes
foi algo maior do que apenas uma sexta feira
[junior ferreira]
Queríamos um final de semana
com direito a pipoca e algodão doce
Passar o dia na praça tocando violão
ou tomar um vinho na grama
trocando risadas e assuntos dos quais nos passam despercebidos pela semana
O que conseguimos, foi ver os fogos de artificio, de longe, de dentro do trem
Passavam as cores por entre os vidros, refletiam nos olhares
E a sensação de ver algo inusitado encher o céu noturno com inúmeras luzes
foi algo maior do que apenas uma sexta feira
[junior ferreira]
sábado, 16 de março de 2013
[...]
Acordado entre quatro paredes imaginando o que aconteceria em um dia inteiro
Contando as palavras, retirando cada acento e corrigindo cada erro banal
Nao faria nada
Mas é por voce
Tudo em seu limite, clareia tudo ao redor - sem limites
Move cada paisagem, orienta o vento de acordo com o seu humor
Sente o pensamento expandir no cerebro e correr pela pele
Sente o que sinto, esta onde eu estou
Alguns chamam de pensamento equivocado, outros alma gemea
O que denomino carinho, as vezes se desloca no tempo, e se perde no mesmo
Preciso acreditar - mais
Encontrar aquilo que chamam de foco
Visualizar o que seria gostar mais de mim mesmo
[junior ferreira]
Acordado entre quatro paredes imaginando o que aconteceria em um dia inteiro
Contando as palavras, retirando cada acento e corrigindo cada erro banal
Nao faria nada
Mas é por voce
Tudo em seu limite, clareia tudo ao redor - sem limites
Move cada paisagem, orienta o vento de acordo com o seu humor
Sente o pensamento expandir no cerebro e correr pela pele
Sente o que sinto, esta onde eu estou
Alguns chamam de pensamento equivocado, outros alma gemea
O que denomino carinho, as vezes se desloca no tempo, e se perde no mesmo
Preciso acreditar - mais
Encontrar aquilo que chamam de foco
Visualizar o que seria gostar mais de mim mesmo
[junior ferreira]
segunda-feira, 4 de março de 2013
[...]
[junior ferreira]
Não estava mesmo convicto ou vinha guardando pensamentos positivos sobre nós - talvez, na gaveta, o que eu guardara foram apenas aquelas cartas. O mesmo que arrebata a minha imensa surpresa e me faz refletir entre alguns bilhões e bilhões é aquela coisa que nos mostra o quanto a vida é mutável, seja na alma, seja a personalidade, ou o quanto estamos sujeitos a diversas mudanças. Não me interessa o que a vizinha acha do cabelo da outra vizinha, não me importa quantas galáxias há nesse universo, quantas estrelas estão morrendo neste momento, ou quantos satélites habitam naqueles planetas. O que queria saber é onde o amor termina - e se termina - onde a paixão começa, se é possível comprar pacotes de alegria ou respeito nos supermercados - assim como compramos cigarros ou vinho ou o que esteja a venda - se os arredores nos permitem ser gentis e se eles se permitem para o mesmo, quero saber até onde vai a nossa vida e se de lá voltaremos pra cá novamente, para amarmos, ou amarmos mais ou mesmo aprender a amar.
[junior ferreira]
sábado, 2 de março de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
[...]
Tudo o que esperei foram as cartas pela manhã
Sua verdade cuspida num papel amassado
feito a margarida que marca as folhas do livro
Contudo, o que de fato recebi foram as confissões que segurava no bolso
junto ao relógio de sua tia-avó
que falecera feito o seu afeto
pendurado ao avesso
numa tarde
rápida
de verão.
[junior ferreira]
Tudo o que esperei foram as cartas pela manhã
Sua verdade cuspida num papel amassado
feito a margarida que marca as folhas do livro
Contudo, o que de fato recebi foram as confissões que segurava no bolso
junto ao relógio de sua tia-avó
que falecera feito o seu afeto
pendurado ao avesso
numa tarde
rápida
de verão.
[junior ferreira]
terça-feira, 20 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
[...]
A paixão que te penetra
é a mesma que me dá forças para levantar da cama
Aquilo que provém do coração
não menos nos preenche, incandesce
Ás vezes o que segue o desconforto do desabafo
apavora, machuca
Contudo, o que de fato destrói
é o cansaço
a fome
tristeza
câncer
ácido cianídrico
[junior ferreira]
A paixão que te penetra
é a mesma que me dá forças para levantar da cama
Aquilo que provém do coração
não menos nos preenche, incandesce
Ás vezes o que segue o desconforto do desabafo
apavora, machuca
Contudo, o que de fato destrói
é o cansaço
a fome
tristeza
câncer
ácido cianídrico
[junior ferreira]
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
[...]
Espontaneidade que se revela como a
corola da fêmea flor, que geme - em sua percepção auditiva - ao desabrochar a vida
Claro, como outras vertigens que aparecem no resto do dia
e somem pressurosas, deixando sequelas e convertendo a eternidade em alguns poucos minutos
São as horas que nos mostram a verdade
são as horas de sua distância
Aprecio o seus segundos
e invejo a maneira como inventa suas próprias histórias
na medida do seu corpo, no desalinho do seu tempo
[junior ferreira]
Espontaneidade que se revela como a
corola da fêmea flor, que geme - em sua percepção auditiva - ao desabrochar a vida
Claro, como outras vertigens que aparecem no resto do dia
e somem pressurosas, deixando sequelas e convertendo a eternidade em alguns poucos minutos
São as horas que nos mostram a verdade
são as horas de sua distância
Aprecio o seus segundos
e invejo a maneira como inventa suas próprias histórias
na medida do seu corpo, no desalinho do seu tempo
[junior ferreira]
terça-feira, 18 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
[...]
Esvazio a mente e viajo por aí, sem compromisso,
Enquanto tomamos aquele café na avenida.
Distração, alguns denominam por assim dizer.
Preocupação, reflexão, solução de problemas,
Desvio de atenção, há muitas coisas envolvidas
Em instantes que desvio o olhar e mergulho em minha mente,
Enquanto discutimos nossos problemas ou dividimos alguma verdade.
[junior ferreira]
Esvazio a mente e viajo por aí, sem compromisso,
Enquanto tomamos aquele café na avenida.
Distração, alguns denominam por assim dizer.
Preocupação, reflexão, solução de problemas,
Desvio de atenção, há muitas coisas envolvidas
Em instantes que desvio o olhar e mergulho em minha mente,
Enquanto discutimos nossos problemas ou dividimos alguma verdade.
*À minha amiga e companheira Natália Tanure.
[junior ferreira]
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
[...]
Pode mesmo se perder nesse desalinho - com o qual navego e reproduzo milhões de vezes as minhas caminhadas - por onde tenho habitado. Rotineiro, não deixo de ser por assim, se quer ver dessa maneira.
Seus lábios estão aí do outro lado, secando e se umedecendo - massageando o lábio inferior e o superior - à cada passagem que acompanha e interpreta.
Veloz, ao seu lado, acomodado em seu ombro enquanto observa que no quarto há apenas um abajur ligado. Sua respiração forte ecoa pelo comodo, perfurando os músculos de quem a sente por perto, densa, se acompanhar de olhos abertos.
Pormenores ficam entre os lençóis, onde os pés se cruzam e se aquecem - esquecem - pela madrugada afora.
[junior ferreira]
Pode mesmo se perder nesse desalinho - com o qual navego e reproduzo milhões de vezes as minhas caminhadas - por onde tenho habitado. Rotineiro, não deixo de ser por assim, se quer ver dessa maneira.
Seus lábios estão aí do outro lado, secando e se umedecendo - massageando o lábio inferior e o superior - à cada passagem que acompanha e interpreta.
Veloz, ao seu lado, acomodado em seu ombro enquanto observa que no quarto há apenas um abajur ligado. Sua respiração forte ecoa pelo comodo, perfurando os músculos de quem a sente por perto, densa, se acompanhar de olhos abertos.
Pormenores ficam entre os lençóis, onde os pés se cruzam e se aquecem - esquecem - pela madrugada afora.
[junior ferreira]
domingo, 26 de agosto de 2012
[...]
Vamos por essas estradas
pelas quais já passaram os trilhos do trem
e o mundaréu de areia tapou o túnel que cortava a cidade em seu subterrâneo.
Vamos por essas estradas
por onde ecoam nossas risadas de dez anos atrás
e a derradeira felicidade tornou-se a árvore que crescera sob os montes de terra
Vamos
[junior ferreira]
Vamos por essas estradas
pelas quais já passaram os trilhos do trem
e o mundaréu de areia tapou o túnel que cortava a cidade em seu subterrâneo.
Vamos por essas estradas
por onde ecoam nossas risadas de dez anos atrás
e a derradeira felicidade tornou-se a árvore que crescera sob os montes de terra
Vamos
[junior ferreira]
sábado, 25 de agosto de 2012
[...]
São mistérios que nem nossas vértebras exibem.
Pode se curvar, quebrar a coluna, não há quem possa
Ao menos dar vestígios.
Nem mesmo os mais intelectuais, ou estudiosos,
conseguiriam enxergar através dos ossos e imaginar o que punge e aflige.
E o que nos flagela não menos destrói, limita.
[junior ferreira]
São mistérios que nem nossas vértebras exibem.
Pode se curvar, quebrar a coluna, não há quem possa
Ao menos dar vestígios.
Nem mesmo os mais intelectuais, ou estudiosos,
conseguiriam enxergar através dos ossos e imaginar o que punge e aflige.
E o que nos flagela não menos destrói, limita.
[junior ferreira]
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
[...]
Por um tempo deixei a ausência de lado.
Agora, não menos fria, em si apegada, reaparece.
A ausência sente falta,
Quer brincar,
Rir ao seu lado e de quem a acompanha.
Não mais sozinho na ausência,
Que insiste em estar perto, por perto,
Sempre perto.
Perco-me em sua companhia,
E quando me percebo neste espaço,
A única chama que se acende
É sua suavidade ainda presa na memória.
[junior ferreira]
Por um tempo deixei a ausência de lado.
Agora, não menos fria, em si apegada, reaparece.
A ausência sente falta,
Quer brincar,
Rir ao seu lado e de quem a acompanha.
Não mais sozinho na ausência,
Que insiste em estar perto, por perto,
Sempre perto.
Perco-me em sua companhia,
E quando me percebo neste espaço,
A única chama que se acende
É sua suavidade ainda presa na memória.
[junior ferreira]
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
[...]
Minuciosamente abro o zíper da minha calça.
Nu apenas,
Ando pela casa e sinto o vento tocar minha pele.
Ainda que perdido em minha nudez, sinto, por toda minha coluna e pernas, escorrer aquela espuma que sai dos cabelos, os barulhos do chuveiro ligado e da água caindo.
Isento de qualquer companhia, enxugo o meu corpo; e se comparado com o resto da casa, minha nudez torna-se algo banal perto
do relógio de parede
e do ventilador de teto
[junior ferreira]
Minuciosamente abro o zíper da minha calça.
Nu apenas,
Ando pela casa e sinto o vento tocar minha pele.
Ainda que perdido em minha nudez, sinto, por toda minha coluna e pernas, escorrer aquela espuma que sai dos cabelos, os barulhos do chuveiro ligado e da água caindo.
Isento de qualquer companhia, enxugo o meu corpo; e se comparado com o resto da casa, minha nudez torna-se algo banal perto
do relógio de parede
e do ventilador de teto
[junior ferreira]
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
[...]
Disperso entre faróis que se lançam aos meus olhos,
Ainda que por um momento cego, consigo sumir desse universo veloz.
Lacônico, ao materializar o infinito.
Mesmo nesse simulacro que disfarça o que realmente te acoberta,
Consigo ver fundo nos seus olhos.
Como se diz eu te amo?
[junior ferreira]
Disperso entre faróis que se lançam aos meus olhos,
Ainda que por um momento cego, consigo sumir desse universo veloz.
Lacônico, ao materializar o infinito.
Mesmo nesse simulacro que disfarça o que realmente te acoberta,
Consigo ver fundo nos seus olhos.
Como se diz eu te amo?
[junior ferreira]
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
[...]
Tácitos, os meus olhos - e ao redor - acompanham aqueles movimentos
Desenvolverem-se no palco, iluminado a quem acompanha de longe, da platéia.
A bailarina carrega em sua coluna o equilíbrio, se mantendo
Em coerência desde as pontas dos pés aos ossos, pele, corpo.
Enquanto Bach, incansavelmente ecoa pela casa da vizinha,
A bailarina executa movimentos de intensa ressonância com a música,
Conectando os barulhos às suas coreografias,
Tornando quem a observa, tão flexível e elástico quanto as pernas demonstram ser.
*Poesia dedicado a um grande amigo e bailarino, Guilherme Fraga.
[junior ferreira]
Tácitos, os meus olhos - e ao redor - acompanham aqueles movimentos
Desenvolverem-se no palco, iluminado a quem acompanha de longe, da platéia.
A bailarina carrega em sua coluna o equilíbrio, se mantendo
Em coerência desde as pontas dos pés aos ossos, pele, corpo.
Enquanto Bach, incansavelmente ecoa pela casa da vizinha,
A bailarina executa movimentos de intensa ressonância com a música,
Conectando os barulhos às suas coreografias,
Tornando quem a observa, tão flexível e elástico quanto as pernas demonstram ser.
*Poesia dedicado a um grande amigo e bailarino, Guilherme Fraga.
[junior ferreira]
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
[...]
E descobrem-se poeiras nessa noite veloz
Vindas da vertigem do dia.
E os barulhos dos grilos e sapos na beira do córrego - que muitos ainda insistem
Em chamar de rio, talvez algum dia este título lhe caiba bem - nunca cessam.
Juntos a este escarcéu, ideias golpeiam de uma só vez,
Embora apenas uma palavra predomine dentre mil, cansaço.
E se escrever nas cartas que na primavera quero flores,
De-me azuis e vermelhas, violetas talvez;
E sempre traga o Sol,
Para que os fins de tarde não se transformem em apenas um ponto final.
[junior ferreira]
E descobrem-se poeiras nessa noite veloz
Vindas da vertigem do dia.
E os barulhos dos grilos e sapos na beira do córrego - que muitos ainda insistem
Em chamar de rio, talvez algum dia este título lhe caiba bem - nunca cessam.
Juntos a este escarcéu, ideias golpeiam de uma só vez,
Embora apenas uma palavra predomine dentre mil, cansaço.
E se escrever nas cartas que na primavera quero flores,
De-me azuis e vermelhas, violetas talvez;
E sempre traga o Sol,
Para que os fins de tarde não se transformem em apenas um ponto final.
[junior ferreira]
terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
[...]
Não é uma cela,
É uma sala que se expande, não tem canto, nem onde termina.
Em cada parede há milhares de fotos, lembranças talvez.
Pode-se percorre-la incansavelmente, derrubando os barulhos e a iluminação ininterrupta.
Só não pode retornar ao hall de entrada, nem voltar pelas portas pelas quais passara.
Deixar recados é provavelmente inevitável, marcas automáticas.
As frases vão ficando junto ao corredor que se estende, as paredes que se reformulam no tempo e as pessoas que entram e saem pelas portas - algumas sentam nos sofás e ficam mais tempos que outras - tornam-me memórias e exímias nesse universo descontrolado e infinito.
[junior ferreira]
Não é uma cela,
É uma sala que se expande, não tem canto, nem onde termina.
Em cada parede há milhares de fotos, lembranças talvez.
Pode-se percorre-la incansavelmente, derrubando os barulhos e a iluminação ininterrupta.
Só não pode retornar ao hall de entrada, nem voltar pelas portas pelas quais passara.
Deixar recados é provavelmente inevitável, marcas automáticas.
As frases vão ficando junto ao corredor que se estende, as paredes que se reformulam no tempo e as pessoas que entram e saem pelas portas - algumas sentam nos sofás e ficam mais tempos que outras - tornam-me memórias e exímias nesse universo descontrolado e infinito.
[junior ferreira]
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