terça-feira, 6 de maio de 2014

[...]













Foi numa noite
que nos vimos

Mas foi num abraço
que nos
apaixonei

Num carinho
que nos
aqueci

Numa dessas redes coloridas
na qual passamos a tarde juntos
que os nossos olhos
brilhou

Foi numa tarde qualquer
que nós
percebi
que o todo
nunca foi completo
sempre foi a metade de um todo
a metade singular
sempre foi apenas
Eu
apenas













[junior ferreira]

domingo, 4 de maio de 2014

[...]














Por menos coerente que seja
sua presença
me aquece

Sua ausência
                    me enche de angustia
e sua demora, ao permitir o amor entrar
é algo adicional que nos torna ainda mais sem sentido

Venha
mesmo que não faça algum sentido

















[junior ferreira]

quinta-feira, 1 de maio de 2014

[...]








veio e entrou como se fosse o vento
rompendo em saudades em certos instantes
e indo embora
                      frio
calculista
              em outros momentos
Para alguma parte alguma
e para bem longe de mim

















[junior ferreira]

domingo, 27 de abril de 2014

[...]

















Digo ao derradeiro poema
que seja veloz
e nunca amargo

Peço ao derradeiro poema
para ser paciente
naqueles momentos que tenho amnésia

Despeço-me do ultimo poema
com um sorriso no rosto
e uma dor forte no peito

Diga ao poema
que irei comprar flores
com a cor dos olhos dele
e com cheiro de saudade




















[junior ferreira]

terça-feira, 22 de abril de 2014

[...]











Disse ao passarinho
que tenho urgência em ser feliz
pressa em me ver livre da
bagagem
que se encheu de coisas sem nexo
                                                     incoerências
Estou cansado deste peso
dessa ideia
de me tornar
tão desnecessário quanto a minha mala

Tenho pressa em viver
pressa em fazer sentido











[junior ferreira]


[...]

















Por detrás
dos diálogos que circulam a cozinha
vejo que minhas preocupações
são menores do que a quantidade de tomates
dentro da salada
que o cheiro de alho que circula pela casa
ínfimas em relação ao azedo do vinagre
banais
se comparados ao gosto do bolo
que acabara de sair
do forno



















[junior ferreira]

sexta-feira, 18 de abril de 2014

[...]
















Estava por demais inquieto
pensando se veria ou não
                                       o por-do-sol
                                       novamente
por demais ansioso
para descobrir a ligação
entre o curinga
e Deus
entre o mistério do jogo Paciência
e a verdadeira existência
da paciência em si - aquela que vai além da palavra
acima do peso que pondera a própria imagem
que percorre a célula e desmembra o DNA
revelando o verdadeiro enigma
de sua essência

Sou por demais louco
não racional
                   não lógico
sou homem, feito de carne
                                        e de imaginação
O que me resta é a ideia
                                    e a vontade de me reinventar
                                                                                a todo momento



















[junior ferreira

sexta-feira, 4 de abril de 2014

[...]














Fim de tarde veloz
vermelho
relampeja sua essência
em diversas cores
a cada
dia

Luz
percorre
o espaço e o tempo
e toda a imensidão
incalculável
do universo
até lançar o derradeiro
feixe eletromagnético
em seu
corpo
sua camisa
rasgada
e suja de suor
seus barulhos
em forma de
fumaça
e sua presença
embutida nos
últimos
relâmpagos
da noite














[junior ferreira]





















quinta-feira, 27 de março de 2014

[...]

















É um paradoxo
uma existência
                       e ao mesmo tempo
                       inexistência
de um único
repetitivo acontecimento

Em alguma parte
                           e
                           com uma velocidade
                                                          e violência
                                                          incríveis
                                                          apenas a Solidão
lhe abraça
e lhe sorri a ironia
                            devido ao exímio
                            fato
                                  de não estar completamente
                                  sozinho
                                              em nenhuma parte
                                                                        alguma

















[junior ferreira]

segunda-feira, 24 de março de 2014

[...]












vem distante
uníssono
manso
como o gato
embaixo
da cadeira
alisando seu rabo incansável
em minhas pernas

vem
sem som algum dessa vez
na calada da noite
onde dorme
o rio
e grita
a ilusão















[junior ferreira]

domingo, 23 de março de 2014

[...]















Existe uma dor
que te abate
e te cega
Ensurdece-te por alguns momentos
instantes esses
que tenta entender
o porquê de tal coisa existir

Fraqueza?
Nada
Acho que a sua ausência
mesmo na sua presença
desperta um medo
algo que machuca
e corrói
cronicamente
vindo daquela vontade
de não estar
sozinho
e de não se acabar na
solidão




















[junior ferreira]

sexta-feira, 21 de março de 2014

[...]














Foi quase na entrada
da viela
que ouvi o nome de uma
árvore
a qual
com toda certeza
passou pela minha imaginação
quando eu era criança

Desta árvore - segundo uma garotinha que estava ao meu lado
eu poderia retirar
qualquer sabor de sorvete
e também
a "casquinha"
o cone de mastigar
A sorveteira
não faz sombras
Refresca, contudo
a criação e
o brilho da inocência













[junior ferreira]





domingo, 16 de março de 2014

[...]
















A dor, a qual havia mencionado
(na sexta de manhã)
foi aquela devido a uma
condição física
cruel
não tão efêmera o quanto
eu gostaria

Uma ruptura
a qual tornara suas palavras
algo banal de se ouvir
num domingo de manhã
sentado na porta
da minha casa
conversando
sem olhar diretamente para o meu rosto
ouvindo a vizinha gritar
e fingir que
tudo aquilo
era mais um dia
qualquer















[junior ferreira]












sábado, 8 de março de 2014

[...]
















Vamos comprar um fusca
pode ser azul
ou anil
qualquer cor que nos flutue
e nos distancie deste dia
chuvoso
e cheio de dor


















[junior ferreira]

quinta-feira, 6 de março de 2014

[...]















Algumas vezes
apenas o violão basta

E quando a vida já não é suficiente
e a alma um inventário pequeno
nada mais basta
para o momento
                             Entre minhas pernas
                             e ninguém mais
                             não há nada que traduz
o som que se emana
das cordas do meu corpo
que agora fingem
fazer parte de uma frequência ininteligível
ligada ao sentimento
do meu corpo




















[junior ferreira]

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

[...]











É uma permanente mudança
Contudo, a casa mantem a velha e mesma estrutura óssea

Os móveis, tácitos em suas antigas posições
os talheres, dentro de cada buraco da gaveta
os papéis
as cadeiras
e até mesmo o par de chinelos - os quais ele deixara para trás
estão espalhados pela casa
Despedir-se nessa tarde veloz
equivale a se afundar na vertigem do dia
pelos cantos da casa
nos quais sua ausência se consome em paredes
corredor
porta
janelas
E a saudade, numa simples vontade de se ter uma rede na varanda















À um grande amigo e irmão que acabara de dizer "até logo"

[junior ferreira]

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

[...]










Morreram as formigas
os insetos que me incomodavam pela noite
e um besouro
Todos em minha mesa

Enquanto os insetos morriam
a cadeira
o livro de Sávio Lopes
o retrato de Elis
a robô de brinquedo
e a luminária
continuavam imóveis
parados
calados
como o resto da noite veloz
















[junior ferreira]

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

[...]

















Podemos ir voando
caso o chão esteja quente e não pudermos andar descalços
Quem sabe isso num domingo qualquer
num barquinho de papel
ou deitados na grama
lendo os nossos olhares
Fazendo com que cada parte de mim mesmo
se torne menos banal
mais intenso
diferente
voando em seus braços
feito uma borboleta
Não importa a hora
a cor
se é a pé ou a cavalo

Vem pra cama
Vem dormir














[junior ferreira]

domingo, 16 de fevereiro de 2014

[...]















Joaninhas são machos
viris
ferozes
predadores vorazes
Só se disfarçam por detrás de sua casca avermelhada
para iludir a presa de sua delicadeza inexistente
Foi o que eu ouvi
entre todo aquele alvoroço
uma explicação de algo que talvez tentasse traduzir
a sua própria personalidade


















[junior ferreira]

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

[...]













Fizemos tudo o que fizemos
e ainda somos aqueles que viveram antigamente
Estamos em harmonia com o nosso medo
e nossa dor
esquecemos que ja fomos alguém
adaptamos a nossa memória de acordo com cada necessidade
e nos tornamos tão banais
quanto fomos outrora













[junior ferreira]

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

[...]












O mundo é tão ridículo, tão estranho, as pessoas não te esperam, elas correm. Todos têm pressa, todos são eles mesmos e ninguém mais. Quanto menos se espera, mais desculpas inventam para te persuadir de que sua presença é interessante, mas não viável para o momento. Alguns dizem que já tiveram momentos felizes, outros dizem terem aprendido que esses momentos são mais voláteis quanto a presença das pessoas pelas quais nos apaixonamos. O que na verdade acontece é que somos todos feitos de uma memória viva em constante amnésia e dor. Lateja cada lado da minha cabeça só de pensar o quão você é ridículo. Não sabe a intensidade de como o vejo ridículo, e nem o limite para a própria palavra que o adjetiva. Odeio cartas de amor, odeio quem se auto assume emotivo, odeio você o qual debocha da minha poesia. Se não é para valer a pena, não se incomode nem em trocar de camisa, aquela camisa azul a qual grudou em teu corpo. Se não é para fazer sentido, não venha, fique por lá. Tenho saudades de viver, urgência em ser feliz.



















[Junior Ferreira]

domingo, 19 de janeiro de 2014

[...]

















Quando esperei por respostas
nada além de suspiros
saíram de sua boca

Parecia que conversava comigo em outra língua
outra dimensão
da qual, desesperadamente, eu procurava uma saída
uma razão
para tal atitude pressurosa
desmedida
irônica
câncer


















[junior ferreira]

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[...]












Como ele era belo, nem fazia questão de arrumar os cabelos ou pentear a barba, era por si uma coisa muito linda. A sua testa reluzia as cinco da tarde, olhando pra fora da janela, no quintal, enquanto eu terminava o meu chá na efêmera visita do sol. Sua bota espalhava o cheiro do trabalho e do cansaço do dia - o qual parecia infinito. Minha boca pedia a boca dele. Meus olhos se enchiam em prazer ao vê-lo. Não fazia esforço para ser gentil ou educado. Sinto falta de como ele preparava o meu café e o assoprava antes de me entregar para não queimar os meus lábios. Esta tudo conectado, hoje, num descompasso. Estamos em dimensões diferentes. Ele tem uma nova vida, família, filhos. Tenho o meu cachorro, minha escola de pintura. Éramos singulares, e hoje sou ainda mais singular. Deitar na cama, despida, e esperar pelo corpo dele tocar o meu, com toda a sinceridade e amor, já não é mais rotina. É lembrança. Crônica. Poesia do Saramago. Tudo menos a verdadeira carne que grudava e deixava aquele suor em minha pele. Viveria em paz se não fosse esse abandono as avessas; essa ilusão sem nexo e sem fim. Teria sossego se não fosse pela minha memória.















[junior ferreira]

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

[...]



















Não me venha falar de amor, não traga barulhos ao meu sossego. Deixe de lado o que te inquieta, viva além das paredes, navegue menos em sua imensidão imaginária

O que existe entre duas pessoas, são quatro braços
duas bocas
dois membros
em apenas um barco

O amor entre dois é desigual
igual a um
efêmero

Singular















[junior ferreira]


domingo, 17 de novembro de 2013

[...]














Foi como acordar com os barulhos
e achar que o mundo havia acabado.

Foi como acabar com os barulhos
e achar que o mundo havia acordado.













[junior ferreira]

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

[...]












"Eu comprei um cavalo" ele disse
"Com a ajuda do Senhor eu comprei meu cavalo, marrom." ele disse novamente

E por onde eu caminhava por aquela estrada de terra
pontos de luz surgiam
janelas de madeira
casas de barro e bambu

Ouvi gritos e sussurros vindos dos fundos de uma casa
por um momento achei que se tratava de uma comemoração
Era uma missa
de sétimo dia, na verdade

No escuro
no meio da poeira
um medo me tomara

Imaginei sendo pego por completo por uma aparição
no meio da estrada
por uma luz divina
Mensagem

Epifania













[junior ferreira]

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

[...]









O que tiver em mãos
ou alma

mantenha contigo
e venha fazer
barulhos












[junior ferreira]

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

[...]



















Há um momento singular
o qual sobrepuja toda a razão
e te acolhe - naquela cadeira vazia

Por um breve momento
acha que foram anos-luz
que perdera
refletindo se o que havia falado faz sentido
ou se era mesmo a sua arrogância ponderando


















[junior ferreira]

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[...]











Tento imaginar um jeito
de lidar com os escombros

Traço linhas sobre o perfil de quem tanto me surpreende
A falta de tempo me surpreende
A sua intolerancia ao esquecimento
e ao afeto - ja não existente - não me extasiam mais

Tenho que o medo
é como a onda
que por sua vez me alcança em intensa ou baixa energia

As ondas vêm com o humor
guardadas em caixinhas
Algumas delas ainda estão embaixo da minha cama
esperando serem abertas
outras já não quero abrir

Ignoro a sua existência
Contudo, se ignoro, me torno ainda mais controverso
por escrever algum fato que venha de sua vida
ou nossa
ou nada
















[junior ferreira]




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

[...]


















Minha felicidade vem crescendo
desde o final de Agosto
Juntando subsequentes historias
a cada xícara de cafe

Estou colecionando amigos desde o inicio de Setembro
colecionando flores
antes do inicio da primavera
revelando, para mim mesmo, o que tem de mais natural
nesse planeta















[junior ferreira]

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

[...]


















Gato doido
pula a janela
e ironicamente encosta seu rabo em minhas pernas

Gato manso
quer carinho, quer lamber os meus dedos
sugar toda minha energia
e sair pela porta de trás da cozinha
por onde eu escondi as ratoeiras
onde começa uma gigante sombra
que corre por toda a varanda
enfeitada  pelos galhos da
da imensa árvore
que se tornam a segunda casa
do Gato afoito
















[junior ferreira]

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[...]












Vai virar pedra, Eu sei
aquele anjo que me trazia pão de queijo pela manha,
que jurava flores na madrugada
e ardia em paixão ao me ver

Vai virar poeira, a beleza que cresceu numa desilusão
e voltar em chamas
junto aquela tarde quente do ultimo verão

Vai virar pedra, o coração que um dia
foi carne
vermelho
margarida















[junior ferreira]

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

[...]



















Olhou-me pelos ombros
como quem me conhecesse
Sorria por dentro
como se eu fosse seu filho
neto
ou alguém bem próximo

Havia saudade nos seus olhos
como se tivesse algo para me contar
compartilhar, talvez

De longe, acenou a cabeça - educadamente, claro, por me fitar por alguns minutos
E entrou no ônibus
com aquela feição materna
feita o relâmpago
que grita a memoria
deixando-me saudoso
ao lembrar da minha Mãe
Pai e irma.


















[junior ferreira]

terça-feira, 13 de agosto de 2013

[...]















Veio sem barulhos,
com sua barba ainda não feita
Passou por mim
feito uma memoria perdida
e me trouxe aquele cheiro
que se esconde atras do pescoço
perto do ouvido direito
o qual desce pela nuca
e desemboca no ombro

Quando virou as costas
deixou-me flores
ao invés da saudade
















[junior ferreira]

quarta-feira, 31 de julho de 2013

[...]





















Por mais suja
ou aspera
fosse a pintura do seu carro
queria suavizar as minhas mãos por através da sua lata velha
imaginando tocar suas pernas, pescoço, barba - tudo aquilo que me aquecia -
sentir cada espaço ou mesmo o cheiro de estrada que carrega em sua dimensão
e assimilar ao seu corpo - toda essa saudade -
o qual não marca mais o lado esquerdo do meu colchão
















[junior ferreira]

sábado, 27 de julho de 2013

[...]














E você vem de longe
troca os seus segredos comigo
os seus dias - que por mais que os ache chatos, penso que são melhores que os meus

Me manda flores em forma de musica
e se eu não agradecesse - sem querer falar o quão bela é sua voz - não seria eu

















[junior ferreira]

sexta-feira, 19 de julho de 2013

[...]





















Achava impossível, enxergar o silêncio
até conhecê-lo
entrar em seu carro velho
ouvir suas músicas
dormir em seu colo
e dizer um simples Adeus num final de domingo

Inalcançável, eu pensava
até lhe introduzir Edward Hopper
observar sua cara de espanto
e perceber que traduzira - em seus olhos - o mesmo silêncio
captado nas telas pelo artista

















[junior ferreira]

quarta-feira, 17 de julho de 2013

[...]


















E quando acordo - em certos dias - sinto aquela ausência
que vem junto ao gosto do bolo de laranja
aos barulhos que entravam pela janela do meu quarto
ao cheiro de cafe preparado pela minha Mãe
a brisa que sentia na casa de campo
o cheiro do pão de queijo me esperando
na mesa da varanda

Sinto nesses momentos
a presença de uma ausência
que me enche o peito
e me tira o sono
me trazendo aquela saudade
de coisas que não existem mais.















[junior ferreira]

domingo, 30 de junho de 2013

[...]












Essa dor da espera
do descaso
de tudo aquilo que me cerca e me tira o sono
nunca cessa

Nao quero parar por aqui
nao sem sentido
quero ir além
fazer com que o dia viaje os instantes somados em mais de 24 horas

E se apodrecer nesse momento
que seja em sua alma
de maos dadas
em seu poema

Nas páginas do seu corpo





















[junior ferreira]

quinta-feira, 30 de maio de 2013

[...]
























Pode ser durante o dia,
o nosso casamento.

Ou num passeio de barco
pela orla,
pela estrada,
na escada,
no meio do nada,
em algum lugar,
No qual haja um começo de dia
vermelho
e efêmero,
como os seus lábios.























[junior ferreira]

segunda-feira, 27 de maio de 2013

[...]




















Por favor, deixe a porta aberta
A porta da sala, pode deixar aberta

Vai embora
e volte
naquele mesmo desalinho que desenha suas pernas

Mesmo indo tao longe
em chamas ou em lágrimas
Vê se volta















[junior ferreira]

quarta-feira, 22 de maio de 2013

[...]

















Foi lá, naquela rua perto do pátio da escola
na qual levamos o primeiro chingo
o primeiro "saímos correndo"
desesperados
rindo de coisas que não tinham sentido
achando que haviam pessoas nos seguindo para nos denunciar aos nossos pais
quando não tínhamos feito nada

O que queríamos, na verdade, eram aqueles pêssegos
mas estavam por detrás do muro de arame farpado
gritamos para a dona da casa aparecer
perguntamos sobre as frutas - que nos chamaram tanta atenção
O que ganhamos em troca foi uma resposta bem sucinta - não bem uma resposta, mas outra pergunta

"O quintal da sua casa é de concreto?"

E com aquela pergunta, por um breve momento, nossa alegria se esvaiu
Nao tínhamos resposta para algo tão óbvio
cruel
e verdadeiro

Alguém, lá no fundo, entre a nossa turma, gritou algo inusitado
Uma não esperada resposta, e o que de fato não pode ser dito como uma resposta
mas sim, apenas um grito em resposta a pergunta da Dona da casa
"VELHA" foi o que ouvimos alguém gritar
Quando me dei conta, era o ultimo a começar a correr
Fomos correndo desesperadamente para nossas casas
rindo sem parar
éramos cinco
éramos crianças
descalços e sem medo

Hoje
somos apenas nós mesmos
distantes em sonho e em vida

Somos apenas um


















[junior ferreira]

domingo, 19 de maio de 2013

[...]


















Estou com sintomas que apavoram uma metade do meu corpo
a outra metade eu não consigo explicar

Como se minha pele evaporasse
e toda a leveza do meu corpo
sumisse

uma metade se traduz em medo
quando a outra metade quer existir















[junior ferreira]

terça-feira, 14 de maio de 2013

[...]
















Ei, você viu?
Pegaram o cachorro da vizinha,
colocaram um cravo para crescer dentro do nariz,
plantaram uma árvore de ponta cabeça,
acharam uma cachoreira de vidro, você viu?

Não, não viu.
Estava ocupado demais
dormindo,
cantando,
passeando por aí em sua própria imaginação
na qual o mundo
assume a ideia de que o amor é uma efemeridade do dia



















[junior ferreira]

segunda-feira, 13 de maio de 2013

[...]




















Vai ver é só saudade
Não venha, se não for para fazer sentido























[junior ferreira]

segunda-feira, 22 de abril de 2013


[...]
















É você, gatinho
Aquele tipo de herói com quem eu sempre sonho
Que atravessa a floresta
o rio
e o campo em ruinas, a cavalo

Que caminha do outro lado da rua
em passos largos
rápidos
usando aquele casaco cinza, com as mãos no bolso
e um olhar que não se deixa perseguir

Me leve com você, gatinho
para longe desse lugar
Pode ser em sua motocicleta
bicicleta
borboleta
qualquer coisa que tenha asas e saiba voar
que reserve um lugar para dois
que seja grandioso e singular
como os seus sorrisos que
brotaram em meus jardins
e se transformaram nas margaridas de todas as manhãs


















[junior ferreira]













domingo, 14 de abril de 2013

[...]
















Encontro-me nessa necessidade de evoluir
de sorrir quando sou vertigem
tornar-se flor quando apenas ser semente basta

Ver-me singular, quando sou apenas barulhos




















[junior ferreira]

quarta-feira, 3 de abril de 2013

[...]





















Nao há memória na cidade, nao mais

A rua, na qual antes eu jogava bola
levantava poeira e gritava feito maluco
Hoje é asfalto
Ninguém mais pega bicho-de-pé - ou nem sabe o que é isso
E pensar que no quintal - no qual eu roubava goiaba - hoje é concreto
reluto pelas outras coisas que se emolduraram no tempo
sem o respeito
pela arte, pela historia
 
A Matriz esta cercada de prédios
Os museus nao passam de poeira
Os vizinhos nao se cumprimentam mais
A ignorancia manda beijos e o por do sol se reflete nos bilhoes de prédios que se erguem pela cidade.






















[junior ferreira]

terça-feira, 2 de abril de 2013

[...]















Vou dizer o seu nome na escuridão
escrever durante horas as palavras pelas quais tanto procura

E se tatuar o Vento em minhas costas
verei suas rabiolas passarem em meu corpo
quando neste mesmo vento, empinar sua pipa
























[junior ferreira]

domingo, 24 de março de 2013

[...]



















Há vagas

Precisa-se de alguém que ame desesperadamente



























[junior ferreira]

quarta-feira, 20 de março de 2013

[...]


















Queríamos um final de semana
com direito a pipoca e algodão doce

Passar o dia na praça tocando violão
ou tomar um vinho na grama
trocando risadas e assuntos dos quais nos passam despercebidos pela semana

O que conseguimos, foi ver os fogos de artificio, de longe, de dentro do trem
Passavam as cores por entre os vidros, refletiam nos olhares
E a sensação de ver algo inusitado encher o céu noturno com inúmeras luzes
foi algo maior do que apenas uma sexta feira

















[junior ferreira]

sábado, 16 de março de 2013

[...]























Acordado entre quatro paredes imaginando o que aconteceria em um dia inteiro
Contando as palavras, retirando cada acento e corrigindo cada erro banal
Nao faria nada
Mas é por voce

Tudo em seu limite, clareia tudo ao redor - sem limites
Move cada paisagem, orienta o vento de acordo com o seu humor
Sente o pensamento expandir no cerebro e correr pela pele
Sente o que sinto, esta onde eu estou
Alguns chamam de pensamento equivocado, outros alma gemea
O que denomino carinho, as vezes se desloca no tempo, e se perde no mesmo
Preciso acreditar - mais
Encontrar aquilo que chamam de foco
Visualizar o que seria gostar mais de mim mesmo















[junior ferreira]


segunda-feira, 4 de março de 2013

[...]
















Não estava mesmo convicto ou vinha guardando pensamentos positivos sobre nós - talvez, na gaveta, o que eu guardara foram apenas aquelas cartas. O mesmo que arrebata a minha imensa surpresa e me faz refletir entre alguns bilhões e bilhões é aquela coisa que nos mostra o quanto a vida é mutável, seja na alma, seja a personalidade, ou o quanto estamos sujeitos a diversas mudanças. Não me interessa o que a vizinha acha do cabelo da outra vizinha, não me importa quantas galáxias há nesse universo, quantas estrelas estão morrendo neste momento, ou quantos satélites habitam naqueles planetas. O que queria saber é onde o amor termina - e se termina - onde a paixão começa, se é possível comprar pacotes de alegria ou respeito nos supermercados - assim como compramos cigarros ou vinho ou o que esteja a venda - se os arredores nos permitem ser gentis e se eles se permitem para o mesmo, quero saber até onde vai a nossa vida e se de lá voltaremos pra cá novamente, para amarmos, ou amarmos mais ou mesmo aprender a amar.






















[junior ferreira]

sábado, 2 de março de 2013

[...]

















Bendita foram as luzes que iluminaram o seu berço em seu nascimento
Benditas luzes que me iluminam
em detrimento da poeira
e de outras desilusões
lançadas aos meus olhos
durante o dia
ou mesmo na madrugada veloz





















[junior ferreira]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

[...]




















E aquela vontade de voltar pra cama - após comer dois pedaços frios de pizza - e me enrolar em seus braços, me espreita pela madrugada afora, quando de fato voce se encontra longe dos meus lençóis.




















[junior ferreira]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

[...]















Enquanto o dia se esvai entre cebolas
alho, salada
mushrooms
e uma pitada de sal
A voz de Djavan
espalha Açaí pela casa
entre bilhoes e bilhoes de sabores, os quais tornam
essa efemeridade ainda mais nostálgica





















[junior ferreira]

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

[...]















Não quero saber o que tem na torta de limão da minha avó
não quero aprofundar nos sorrisos que mascaram o azedo deste sabor
e enterram a leveza e o tom esverdeado numa só garfada

















[junior ferreira]

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

[...]










E a vida segue

Mistura suas sensações de querer voltar atras e refazer o novo com o que poderia ser feito no futuro

As cartas
o toque

os olhares
tudo aquilo que sonha ou sente medo se transforma no fim em algo palpável

Pede alento
Esquecimento
Pede carinho e pede paz















[junior ferreira]

sábado, 15 de dezembro de 2012

[...]

















Agora é minha vez de te levar flores
minha vez de sentir saudades.





















[junior ferreira]

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[...]
























O meu lençol amassado tinge de azul
o branco do quarto
o vazio das cadeiras
a nudez que se esquiva pela sala
e tudo aquilo que se esvai em cores
as quais evitamos enxergar.




















[junior ferreira]

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[...]



















Tudo o que esperei foram as cartas pela manhã
Sua verdade cuspida num papel amassado
feito a margarida que marca as folhas do livro

Contudo, o que de fato recebi foram as confissões que segurava no bolso
junto ao relógio de sua tia-avó
que falecera feito o seu afeto
pendurado ao avesso
numa tarde
rápida
de verão.





















[junior ferreira]

terça-feira, 20 de novembro de 2012

[...]





















Como o avesso
passou pela minha porta de olhos bem abertos
Deixou flores em meu quintal
e correu para longe do muro
levando meu amor no bolso, pelo o amanhã, através das ondas
que só chegarão em Março

















[junior ferreira]

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

[...]

























Deixe a sua imaginação fluir sob a minha intensidade
vicie em meus sorrisos - por mais que eu negue essa atitude -
e me leve para cavalgar em sua garupa, naquele teu cavalo
que cria asas quando precisamos fugir
ou inventar algum lugar apenas nosso.




























[junior ferreira]

terça-feira, 6 de novembro de 2012

[...]


















Entre duas verdades
existe aquela que busco por minha própria vontade
e outra que sai de seus lábios
prefiro a menos dolorida.


















[junior ferreira]

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

[...]


















A paixão que te penetra
é a mesma que me dá forças para levantar da cama
Aquilo que provém do coração
não menos nos preenche, incandesce

Ás vezes o que segue o desconforto do desabafo
apavora, machuca
Contudo, o que de fato destrói
é o cansaço
a fome
tristeza
câncer
ácido cianídrico

























[junior ferreira]

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

[...]

















Convém ao seu desdém
dar sinfonia à ironia que perpetua em sua língua
E por essa razão
exijo aos elementos deste mundo
que comecem a fabricar pílulas
para curar esse desassossego
essa contradição em termos.




















[junior ferreira]

domingo, 21 de outubro de 2012

[...]




















Pimentas vermelhas
tonalizam o resto da cozinha
morrem com o branco das paredes e do teto
Mesmo que a vertigem da tarde apareça num vaso de pimentas
o sol continua o mesmo, o que muda é a essência dos raios
a intensidade com a qual eu sinto a luz.
















[junior ferreira]

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

[...]




















E mesmo com o violão entre as pernas
treinando blues
rock
faço o que eventualmente deveria ser feito
absorvo a harmonia
e me encaixo naquele lugar que alguns nomeiam
solidão


















[junior ferreira]

domingo, 14 de outubro de 2012

[...]


















As cores parecem imagens distorcidas de retratos já guardados na ultima caixa do armário
Mudam o que eventualmente eu consigo me lembrar
Transformam aquilo que se impregnou na cabeça
nossos sonhos
nossa vida
a sua vida
a minha

As cores são sua voz





















[junior ferreira]

sábado, 13 de outubro de 2012

[...]




















E essas palavras que saíram de dentro
evocaram algum sarcasmo

O que eventualmente surge do espanto
surge para ferir a quem o escuta
Se o passado fosse apenas um retrato
de nada valeria nosso presente























[junior ferreira]

terça-feira, 9 de outubro de 2012

[...]

















A chuva sutilmente caia lá fora,
enquanto, normalmente, meu café esfriava à mesa
Veio à tona, a saudade da minha cadela
os dias em que corria descalço pela Rua Tupis
tudo o que eventualmente se transformou nesse tempo impalpável.























[junior ferreira]

sábado, 6 de outubro de 2012

[...]
























E mesmo nessa fossa,
os barulhos enfatizam seu nome,
os rumores enfeitam sua áurea.
E o que existe de fato está contemplado nessa efemeridade do dia,
na vertigem da tarde, nalguma noite veloz.

Em alguma parte alguma.

















[Junior Ferreira]

terça-feira, 2 de outubro de 2012

[...]
















O vento leva à você
as pétalas das flores que brotaram do solo infértil.

O vento traz de você, o cheiro do ultimo banho
e as mensagens que nem mesmo os poetas mais viscerais, sensíveis
conseguem decodificar.
















[junior ferreira]




domingo, 30 de setembro de 2012

[...]



















São os resmungos e barulhos que gritam por aí essa saudade inexorável,
essa ilusão imensurável, um amor que mais se parece com um pedaço de papel amassado escrito eu te amo.






















[junior ferreira]
[...]






















                   Espontaneidade que se revela como a
                   corola da fêmea flor, que geme - em sua percepção auditiva - ao desabrochar a vida
Claro, como outras vertigens que aparecem no resto do dia
e somem pressurosas, deixando sequelas e convertendo a eternidade em alguns poucos minutos

São as horas que nos mostram a verdade
são as horas de sua distância
Aprecio o seus segundos
e invejo a maneira como inventa suas próprias histórias
na medida do seu corpo, no desalinho do seu tempo
























[junior ferreira]

terça-feira, 18 de setembro de 2012

[...]























Se esqueça
E se aqueça pela madrugada com este café
Espere as frestas do sol atravessarem, cortarem o chão pela janela
Iluminando a poeira e as coisas que correm através dos feixes de luz.



















[junior ferreira]

domingo, 16 de setembro de 2012

[...]






















É difícil, mas ainda se alcança o entendimento
do lado cego - aquele mesmo lado que negamos existir quando não queremos enxergar alguma verdade.

Nem que a vida lhe force a vê-lo,
há uma hora na qual os barulhos deixam de ser táteis, e se tornam visíveis.





















[junior ferreira]

domingo, 2 de setembro de 2012

[...]




















Nesse fim de tarde, me pergunto sobre a possibilidade de o sol nascer iluminando
o dia como se fossem quatro da tarde, com a mesma sombra sob cada árvore,
e com o mesmo vento que sopra o rosto
quando ando por aí
sem destino ou compromisso
em minha bicicleta.
















[junior ferreira]

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

[...]




















Andam dizendo por aí que os relógios estão mais apressados,
e que a primavera baterá em nossas janelas depois de amanhã.

Contudo, apenas boatos.




















[junior ferreira]
[...]



















Esvazio a mente e viajo por aí, sem compromisso,
Enquanto tomamos aquele café na avenida.
Distração, alguns denominam por assim dizer.

Preocupação, reflexão, solução de problemas,
Desvio de atenção, há muitas coisas envolvidas
Em instantes que desvio o olhar e mergulho em minha mente,
Enquanto discutimos nossos problemas ou dividimos alguma verdade.
















*À minha amiga e companheira Natália Tanure.

[junior ferreira]

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

[...]

























Pode mesmo se perder nesse desalinho - com o qual navego e reproduzo milhões de vezes as minhas caminhadas - por onde tenho habitado. Rotineiro, não deixo de ser por assim, se quer ver dessa maneira.
Seus lábios estão aí do outro lado, secando e se umedecendo - massageando o lábio inferior e o superior - à cada passagem que acompanha e interpreta. 
Veloz, ao seu lado, acomodado em seu ombro enquanto observa que no quarto há apenas um abajur ligado. Sua respiração forte ecoa pelo comodo, perfurando os músculos de quem a sente por perto, densa, se acompanhar de olhos abertos.
Pormenores ficam entre os lençóis, onde os pés se cruzam e se aquecem - esquecem -  pela madrugada afora.





















[junior ferreira]

domingo, 26 de agosto de 2012

[...]





















Vamos por essas estradas
pelas quais já passaram os trilhos do trem
e o mundaréu de areia tapou o túnel que cortava a cidade em seu subterrâneo.

Vamos por essas estradas
por onde ecoam nossas risadas de dez anos atrás
e a derradeira felicidade tornou-se a árvore que crescera sob os montes de terra

Vamos





















[junior ferreira]

sábado, 25 de agosto de 2012

[...]






















São mistérios que nem nossas vértebras exibem.
Pode se curvar, quebrar a coluna, não há quem possa
Ao menos dar vestígios.
Nem mesmo os mais intelectuais, ou estudiosos,
conseguiriam enxergar através dos ossos e imaginar o que punge e aflige.

E o que nos flagela não menos destrói, limita.

























[junior ferreira]

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

[...]




















Volte.
Volte em fé ou em lágrimas.
Vertiginosamente como a fêmea flor, que em sua ausência,
Violenta e colore as minhas mais triviais
Virtudes.


















[junior ferreira]
[...]






















Por um tempo deixei a ausência de lado.
Agora, não menos fria, em si apegada, reaparece.
A ausência sente falta,
Quer brincar,
Rir ao seu lado e de quem a acompanha.

Não mais sozinho na ausência,
Que insiste em estar perto, por perto,
Sempre perto.

Perco-me em sua companhia,
E quando me percebo neste espaço,
A única chama que se acende
É sua suavidade ainda presa na memória.





















[junior ferreira]





quinta-feira, 16 de agosto de 2012

[...]





















Minuciosamente abro o zíper da minha calça.
Nu apenas,
Ando pela casa e sinto o vento tocar minha pele.

Ainda que perdido em minha nudez, sinto, por toda minha coluna e pernas, escorrer aquela espuma que sai dos cabelos, os barulhos do chuveiro ligado e da água caindo.
Isento de qualquer companhia, enxugo o meu corpo; e se comparado com o resto da casa, minha nudez torna-se algo banal perto
                                          do relógio de parede
                                          e do ventilador de teto





















[junior ferreira]

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

[...]




















E viver por essa mocidade,
Num verão tão efêmero quanto os seus planos.
Faz deste, ainda que vertiginoso, um tempo exímio.





















[junior ferreira]

terça-feira, 14 de agosto de 2012

[...]























Disperso entre faróis que se lançam aos meus olhos,
Ainda que por um momento cego, consigo sumir desse universo veloz.
Lacônico, ao materializar o infinito.
Mesmo nesse simulacro que disfarça o que realmente te acoberta,
Consigo ver fundo nos seus olhos.

Como se diz eu te amo?





















[junior ferreira]

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

[...]

























Tácitos, os meus olhos -  e ao redor - acompanham aqueles movimentos
Desenvolverem-se no palco, iluminado a quem acompanha de longe, da platéia.
A bailarina carrega em sua coluna o equilíbrio, se mantendo
Em coerência desde as pontas dos pés aos ossos, pele, corpo.

Enquanto Bach, incansavelmente ecoa pela casa da vizinha,
A bailarina executa movimentos de intensa ressonância com a música,
Conectando os barulhos às suas coreografias,
Tornando quem a observa, tão flexível e elástico quanto as pernas demonstram ser.






















*Poesia dedicado a um grande amigo e bailarino, Guilherme Fraga.

[junior ferreira]

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

[...]





















Além dos desabafos, o que menos me acalenta numa mesa de bar
São as curvas que a fumaça do cigarro exibi,
Ao fluir desorganizadamente pelo ar.





















[junior ferreira]

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

[...]

























E descobrem-se poeiras nessa noite veloz
Vindas da vertigem do dia.
E os barulhos dos grilos e sapos na beira do córrego - que muitos ainda insistem
Em chamar de rio, talvez algum dia este título lhe caiba bem - nunca cessam.
Juntos a este escarcéu, ideias golpeiam de uma só vez,
Embora apenas uma palavra predomine dentre mil, cansaço.

E se escrever nas cartas que na primavera quero flores,
De-me azuis e vermelhas, violetas talvez;
E sempre traga o Sol,
Para que os fins de tarde não se transformem em apenas um ponto final.




















[junior ferreira]


terça-feira, 7 de agosto de 2012

[...]






















Não quero sentir o vento deste Outono.
O secar das folhas, presenciar não quero.
O que me torna menos cru não é a partida do Sol, pelas cinco da tarde.
Mas a maneira como ele nasce e desabrocha nessa derradeira manhã de verão.
















[junior ferreira]

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

[...]






















Não é uma cela,
É uma sala que se expande, não tem canto, nem onde termina.
Em cada parede há milhares de fotos, lembranças talvez.
Pode-se percorre-la incansavelmente, derrubando os barulhos e a iluminação ininterrupta.
Só não pode retornar ao hall de entrada, nem voltar pelas portas pelas quais passara.
Deixar recados é provavelmente inevitável, marcas automáticas.

As frases vão ficando junto ao corredor que se estende, as paredes que se reformulam no tempo e as pessoas que entram e saem pelas portas - algumas sentam nos sofás e ficam mais tempos que outras - tornam-me memórias e exímias nesse universo descontrolado e infinito.























[junior ferreira]

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

[...]

















Sem esmerilar a boca que se esconde por entre as pernas,
Sorri na mesma ignomínia que os lábios proporcionam.
Flexíveis como o prazer que neles podem se suprir,
Diz-se a incógnita do corpo.

Cona.

















[junior ferreira]

terça-feira, 17 de julho de 2012

[...]














E voltávamos pra casa por aquelas estradas, correndo após a aula,
Andávamos sempre em bando.
Vinhamos pelo caminho que dividia o espaço com os trilhos,
Mas não acabava ali na beira, ia além do túnel.

E por aqueles redores ouvíamos os barulhos da máquina que trasnportava o carvão
E o minério de ferro em seu rabo gigante e magnífico.
Todo aquele brilho que ficava no chão, morria com o resto da tarde
soprando a leve brisa dos dias de céu vermelho.



















[junior ferreira]

segunda-feira, 16 de julho de 2012

[...]













E seus sorrisos vão ficando pelas esquinas,
Por aquelas ruas estreitas, nas quais tomamos uma chuva gelada,
Naquela noite na qual não parávamos de rir
E nem de procurar algum canto para não se molhar tanto.

E assim se esvai alguns de nossos sonhos, por essa mocidade,
junto ao que nos deixa ensopados e ao que nos torna ensolarados.


















[junior ferreira]

segunda-feira, 9 de julho de 2012

[...]

















Disse para eu mesmo que iria comprar chá.





















[junior ferreira]
[...]














Tenho borboletas dentro de mim.
Orquídeas pelo meu tegumento, simbiose.

E se nessa protocooperação evoluimos,
Não seria coerente desfazer dessa minha camisa que floresce em épocas tão específicas.

Coeso, talvez, aceitar que todas essas raízes apodreçam junto ao seu hálito,
Àquilo que na verdade é apenas uma semente,
A qual poucos corajosos nomeiam coração.


















[junior ferreira]







segunda-feira, 2 de julho de 2012

[...]














Lá se vai mais uma vez,
Mais uma história,
Mais uma mensagem.

Aquele abraço, lá se vai.
Tudo se esvai naquele calor que sentíamos juntos,
Nos aquecendo durante as noites geladas.

Lá e de volta outra vez.


















[junior ferreira]

domingo, 1 de julho de 2012


[...]















Se pensar sem chorar, percebe que na realidade os amigos não se vão,
Tiram férias apenas.
Eles estão por aí, distante algumas vezes, mas sempre perto.
















[junior ferreira]