[...]
Tento imaginar um jeito
de lidar com os escombros
Traço linhas sobre o perfil de quem tanto me surpreende
A falta de tempo me surpreende
A sua intolerancia ao esquecimento
e ao afeto - ja não existente - não me extasiam mais
Tenho que o medo
é como a onda
que por sua vez me alcança em intensa ou baixa energia
As ondas vêm com o humor
guardadas em caixinhas
Algumas delas ainda estão embaixo da minha cama
esperando serem abertas
outras já não quero abrir
Ignoro a sua existência
Contudo, se ignoro, me torno ainda mais controverso
por escrever algum fato que venha de sua vida
ou nossa
ou nada
[junior ferreira]
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
[...]
Minha felicidade vem crescendo
desde o final de Agosto
Juntando subsequentes historias
a cada xícara de cafe
Estou colecionando amigos desde o inicio de Setembro
colecionando flores
antes do inicio da primavera
revelando, para mim mesmo, o que tem de mais natural
nesse planeta
[junior ferreira]
Minha felicidade vem crescendo
desde o final de Agosto
Juntando subsequentes historias
a cada xícara de cafe
Estou colecionando amigos desde o inicio de Setembro
colecionando flores
antes do inicio da primavera
revelando, para mim mesmo, o que tem de mais natural
nesse planeta
[junior ferreira]
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
[...]
Gato doido
pula a janela
e ironicamente encosta seu rabo em minhas pernas
Gato manso
quer carinho, quer lamber os meus dedos
sugar toda minha energia
e sair pela porta de trás da cozinha
por onde eu escondi as ratoeiras
onde começa uma gigante sombra
que corre por toda a varanda
enfeitada pelos galhos da
da imensa árvore
que se tornam a segunda casa
do Gato afoito
[junior ferreira]
Gato doido
pula a janela
e ironicamente encosta seu rabo em minhas pernas
Gato manso
quer carinho, quer lamber os meus dedos
sugar toda minha energia
e sair pela porta de trás da cozinha
por onde eu escondi as ratoeiras
onde começa uma gigante sombra
que corre por toda a varanda
enfeitada pelos galhos da
da imensa árvore
que se tornam a segunda casa
do Gato afoito
[junior ferreira]
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
[...]
Vai virar pedra, Eu sei
aquele anjo que me trazia pão de queijo pela manha,
que jurava flores na madrugada
e ardia em paixão ao me ver
Vai virar poeira, a beleza que cresceu numa desilusão
e voltar em chamas
junto aquela tarde quente do ultimo verão
Vai virar pedra, o coração que um dia
foi carne
vermelho
margarida
[junior ferreira]
Vai virar pedra, Eu sei
aquele anjo que me trazia pão de queijo pela manha,
que jurava flores na madrugada
e ardia em paixão ao me ver
Vai virar poeira, a beleza que cresceu numa desilusão
e voltar em chamas
junto aquela tarde quente do ultimo verão
Vai virar pedra, o coração que um dia
foi carne
vermelho
margarida
[junior ferreira]
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
[...]
Olhou-me pelos ombros
como quem me conhecesse
Sorria por dentro
como se eu fosse seu filho
neto
ou alguém bem próximo
Havia saudade nos seus olhos
como se tivesse algo para me contar
compartilhar, talvez
De longe, acenou a cabeça - educadamente, claro, por me fitar por alguns minutos
E entrou no ônibus
com aquela feição materna
feita o relâmpago
que grita a memoria
deixando-me saudoso
ao lembrar da minha Mãe
Pai e irma.
[junior ferreira]
Olhou-me pelos ombros
como quem me conhecesse
Sorria por dentro
como se eu fosse seu filho
neto
ou alguém bem próximo
Havia saudade nos seus olhos
como se tivesse algo para me contar
compartilhar, talvez
De longe, acenou a cabeça - educadamente, claro, por me fitar por alguns minutos
E entrou no ônibus
com aquela feição materna
feita o relâmpago
que grita a memoria
deixando-me saudoso
ao lembrar da minha Mãe
Pai e irma.
[junior ferreira]
terça-feira, 13 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
[...]
Por mais suja
ou aspera
fosse a pintura do seu carro
queria suavizar as minhas mãos por através da sua lata velha
imaginando tocar suas pernas, pescoço, barba - tudo aquilo que me aquecia -
sentir cada espaço ou mesmo o cheiro de estrada que carrega em sua dimensão
e assimilar ao seu corpo - toda essa saudade -
o qual não marca mais o lado esquerdo do meu colchão
[junior ferreira]
Por mais suja
ou aspera
fosse a pintura do seu carro
queria suavizar as minhas mãos por através da sua lata velha
imaginando tocar suas pernas, pescoço, barba - tudo aquilo que me aquecia -
sentir cada espaço ou mesmo o cheiro de estrada que carrega em sua dimensão
e assimilar ao seu corpo - toda essa saudade -
o qual não marca mais o lado esquerdo do meu colchão
[junior ferreira]
sábado, 27 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
[...]
Achava impossível, enxergar o silêncio
até conhecê-lo
entrar em seu carro velho
ouvir suas músicas
dormir em seu colo
e dizer um simples Adeus num final de domingo
Inalcançável, eu pensava
até lhe introduzir Edward Hopper
observar sua cara de espanto
e perceber que traduzira - em seus olhos - o mesmo silêncio
captado nas telas pelo artista
[junior ferreira]
Achava impossível, enxergar o silêncio
até conhecê-lo
entrar em seu carro velho
ouvir suas músicas
dormir em seu colo
e dizer um simples Adeus num final de domingo
Inalcançável, eu pensava
até lhe introduzir Edward Hopper
observar sua cara de espanto
e perceber que traduzira - em seus olhos - o mesmo silêncio
captado nas telas pelo artista
[junior ferreira]
quarta-feira, 17 de julho de 2013
[...]
E quando acordo - em certos dias - sinto aquela ausência
que vem junto ao gosto do bolo de laranja
aos barulhos que entravam pela janela do meu quarto
ao cheiro de cafe preparado pela minha Mãe
a brisa que sentia na casa de campo
o cheiro do pão de queijo me esperando
na mesa da varanda
Sinto nesses momentos
a presença de uma ausência
que me enche o peito
e me tira o sono
me trazendo aquela saudade
de coisas que não existem mais.
[junior ferreira]
E quando acordo - em certos dias - sinto aquela ausência
que vem junto ao gosto do bolo de laranja
aos barulhos que entravam pela janela do meu quarto
ao cheiro de cafe preparado pela minha Mãe
a brisa que sentia na casa de campo
o cheiro do pão de queijo me esperando
na mesa da varanda
Sinto nesses momentos
a presença de uma ausência
que me enche o peito
e me tira o sono
me trazendo aquela saudade
de coisas que não existem mais.
[junior ferreira]
domingo, 30 de junho de 2013
[...]
Essa dor da espera
do descaso
de tudo aquilo que me cerca e me tira o sono
nunca cessa
Nao quero parar por aqui
nao sem sentido
quero ir além
fazer com que o dia viaje os instantes somados em mais de 24 horas
E se apodrecer nesse momento
que seja em sua alma
de maos dadas
em seu poema
Nas páginas do seu corpo
[junior ferreira]
Essa dor da espera
do descaso
de tudo aquilo que me cerca e me tira o sono
nunca cessa
Nao quero parar por aqui
nao sem sentido
quero ir além
fazer com que o dia viaje os instantes somados em mais de 24 horas
E se apodrecer nesse momento
que seja em sua alma
de maos dadas
em seu poema
Nas páginas do seu corpo
[junior ferreira]
quinta-feira, 30 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
[...]
Foi lá, naquela rua perto do pátio da escola
na qual levamos o primeiro chingo
o primeiro "saímos correndo"
desesperados
rindo de coisas que não tinham sentido
achando que haviam pessoas nos seguindo para nos denunciar aos nossos pais
quando não tínhamos feito nada
O que queríamos, na verdade, eram aqueles pêssegos
mas estavam por detrás do muro de arame farpado
gritamos para a dona da casa aparecer
perguntamos sobre as frutas - que nos chamaram tanta atenção
O que ganhamos em troca foi uma resposta bem sucinta - não bem uma resposta, mas outra pergunta
"O quintal da sua casa é de concreto?"
E com aquela pergunta, por um breve momento, nossa alegria se esvaiu
Nao tínhamos resposta para algo tão óbvio
cruel
e verdadeiro
Alguém, lá no fundo, entre a nossa turma, gritou algo inusitado
Uma não esperada resposta, e o que de fato não pode ser dito como uma resposta
mas sim, apenas um grito em resposta a pergunta da Dona da casa
"VELHA" foi o que ouvimos alguém gritar
Quando me dei conta, era o ultimo a começar a correr
Fomos correndo desesperadamente para nossas casas
rindo sem parar
éramos cinco
éramos crianças
descalços e sem medo
Hoje
somos apenas nós mesmos
distantes em sonho e em vida
Somos apenas um
[junior ferreira]
Foi lá, naquela rua perto do pátio da escola
na qual levamos o primeiro chingo
o primeiro "saímos correndo"
desesperados
rindo de coisas que não tinham sentido
achando que haviam pessoas nos seguindo para nos denunciar aos nossos pais
quando não tínhamos feito nada
O que queríamos, na verdade, eram aqueles pêssegos
mas estavam por detrás do muro de arame farpado
gritamos para a dona da casa aparecer
perguntamos sobre as frutas - que nos chamaram tanta atenção
O que ganhamos em troca foi uma resposta bem sucinta - não bem uma resposta, mas outra pergunta
"O quintal da sua casa é de concreto?"
E com aquela pergunta, por um breve momento, nossa alegria se esvaiu
Nao tínhamos resposta para algo tão óbvio
cruel
e verdadeiro
Alguém, lá no fundo, entre a nossa turma, gritou algo inusitado
Uma não esperada resposta, e o que de fato não pode ser dito como uma resposta
mas sim, apenas um grito em resposta a pergunta da Dona da casa
"VELHA" foi o que ouvimos alguém gritar
Quando me dei conta, era o ultimo a começar a correr
Fomos correndo desesperadamente para nossas casas
rindo sem parar
éramos cinco
éramos crianças
descalços e sem medo
Hoje
somos apenas nós mesmos
distantes em sonho e em vida
Somos apenas um
[junior ferreira]
domingo, 19 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
[...]
Ei, você viu?
Pegaram o cachorro da vizinha,
colocaram um cravo para crescer dentro do nariz,
plantaram uma árvore de ponta cabeça,
acharam uma cachoreira de vidro, você viu?
Não, não viu.
Estava ocupado demais
dormindo,
cantando,
passeando por aí em sua própria imaginação
na qual o mundo
assume a ideia de que o amor é uma efemeridade do dia
[junior ferreira]
Ei, você viu?
Pegaram o cachorro da vizinha,
colocaram um cravo para crescer dentro do nariz,
plantaram uma árvore de ponta cabeça,
acharam uma cachoreira de vidro, você viu?
Não, não viu.
Estava ocupado demais
dormindo,
cantando,
passeando por aí em sua própria imaginação
na qual o mundo
assume a ideia de que o amor é uma efemeridade do dia
[junior ferreira]
segunda-feira, 13 de maio de 2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
[...]
É você, gatinho
Aquele tipo de herói com quem eu sempre sonho
Que atravessa a floresta
o rio
e o campo em ruinas, a cavalo
Que caminha do outro lado da rua
em passos largos
rápidos
usando aquele casaco cinza, com as mãos no bolso
e um olhar que não se deixa perseguir
Me leve com você, gatinho
para longe desse lugar
Pode ser em sua motocicleta
bicicleta
borboleta
qualquer coisa que tenha asas e saiba voar
que reserve um lugar para dois
que seja grandioso e singular
como os seus sorrisos que
brotaram em meus jardins
e se transformaram nas margaridas de todas as manhãs
[junior ferreira]
domingo, 14 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
[...]
Nao há memória na cidade, nao mais
A rua, na qual antes eu jogava bola
levantava poeira e gritava feito maluco
Hoje é asfalto
Ninguém mais pega bicho-de-pé - ou nem sabe o que é isso
E pensar que no quintal - no qual eu roubava goiaba - hoje é concreto
reluto pelas outras coisas que se emolduraram no tempo
sem o respeito
pela arte, pela historia
A Matriz esta cercada de prédios
Os museus nao passam de poeira
Os vizinhos nao se cumprimentam mais
A ignorancia manda beijos e o por do sol se reflete nos bilhoes de prédios que se erguem pela cidade.
[junior ferreira]
Nao há memória na cidade, nao mais
A rua, na qual antes eu jogava bola
levantava poeira e gritava feito maluco
Hoje é asfalto
Ninguém mais pega bicho-de-pé - ou nem sabe o que é isso
E pensar que no quintal - no qual eu roubava goiaba - hoje é concreto
reluto pelas outras coisas que se emolduraram no tempo
sem o respeito
pela arte, pela historia
A Matriz esta cercada de prédios
Os museus nao passam de poeira
Os vizinhos nao se cumprimentam mais
A ignorancia manda beijos e o por do sol se reflete nos bilhoes de prédios que se erguem pela cidade.
[junior ferreira]
terça-feira, 2 de abril de 2013
domingo, 24 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
[...]
Queríamos um final de semana
com direito a pipoca e algodão doce
Passar o dia na praça tocando violão
ou tomar um vinho na grama
trocando risadas e assuntos dos quais nos passam despercebidos pela semana
O que conseguimos, foi ver os fogos de artificio, de longe, de dentro do trem
Passavam as cores por entre os vidros, refletiam nos olhares
E a sensação de ver algo inusitado encher o céu noturno com inúmeras luzes
foi algo maior do que apenas uma sexta feira
[junior ferreira]
Queríamos um final de semana
com direito a pipoca e algodão doce
Passar o dia na praça tocando violão
ou tomar um vinho na grama
trocando risadas e assuntos dos quais nos passam despercebidos pela semana
O que conseguimos, foi ver os fogos de artificio, de longe, de dentro do trem
Passavam as cores por entre os vidros, refletiam nos olhares
E a sensação de ver algo inusitado encher o céu noturno com inúmeras luzes
foi algo maior do que apenas uma sexta feira
[junior ferreira]
sábado, 16 de março de 2013
[...]
Acordado entre quatro paredes imaginando o que aconteceria em um dia inteiro
Contando as palavras, retirando cada acento e corrigindo cada erro banal
Nao faria nada
Mas é por voce
Tudo em seu limite, clareia tudo ao redor - sem limites
Move cada paisagem, orienta o vento de acordo com o seu humor
Sente o pensamento expandir no cerebro e correr pela pele
Sente o que sinto, esta onde eu estou
Alguns chamam de pensamento equivocado, outros alma gemea
O que denomino carinho, as vezes se desloca no tempo, e se perde no mesmo
Preciso acreditar - mais
Encontrar aquilo que chamam de foco
Visualizar o que seria gostar mais de mim mesmo
[junior ferreira]
Acordado entre quatro paredes imaginando o que aconteceria em um dia inteiro
Contando as palavras, retirando cada acento e corrigindo cada erro banal
Nao faria nada
Mas é por voce
Tudo em seu limite, clareia tudo ao redor - sem limites
Move cada paisagem, orienta o vento de acordo com o seu humor
Sente o pensamento expandir no cerebro e correr pela pele
Sente o que sinto, esta onde eu estou
Alguns chamam de pensamento equivocado, outros alma gemea
O que denomino carinho, as vezes se desloca no tempo, e se perde no mesmo
Preciso acreditar - mais
Encontrar aquilo que chamam de foco
Visualizar o que seria gostar mais de mim mesmo
[junior ferreira]
segunda-feira, 4 de março de 2013
[...]
[junior ferreira]
Não estava mesmo convicto ou vinha guardando pensamentos positivos sobre nós - talvez, na gaveta, o que eu guardara foram apenas aquelas cartas. O mesmo que arrebata a minha imensa surpresa e me faz refletir entre alguns bilhões e bilhões é aquela coisa que nos mostra o quanto a vida é mutável, seja na alma, seja a personalidade, ou o quanto estamos sujeitos a diversas mudanças. Não me interessa o que a vizinha acha do cabelo da outra vizinha, não me importa quantas galáxias há nesse universo, quantas estrelas estão morrendo neste momento, ou quantos satélites habitam naqueles planetas. O que queria saber é onde o amor termina - e se termina - onde a paixão começa, se é possível comprar pacotes de alegria ou respeito nos supermercados - assim como compramos cigarros ou vinho ou o que esteja a venda - se os arredores nos permitem ser gentis e se eles se permitem para o mesmo, quero saber até onde vai a nossa vida e se de lá voltaremos pra cá novamente, para amarmos, ou amarmos mais ou mesmo aprender a amar.
[junior ferreira]
sábado, 2 de março de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
[...]
Tudo o que esperei foram as cartas pela manhã
Sua verdade cuspida num papel amassado
feito a margarida que marca as folhas do livro
Contudo, o que de fato recebi foram as confissões que segurava no bolso
junto ao relógio de sua tia-avó
que falecera feito o seu afeto
pendurado ao avesso
numa tarde
rápida
de verão.
[junior ferreira]
Tudo o que esperei foram as cartas pela manhã
Sua verdade cuspida num papel amassado
feito a margarida que marca as folhas do livro
Contudo, o que de fato recebi foram as confissões que segurava no bolso
junto ao relógio de sua tia-avó
que falecera feito o seu afeto
pendurado ao avesso
numa tarde
rápida
de verão.
[junior ferreira]
terça-feira, 20 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
[...]
A paixão que te penetra
é a mesma que me dá forças para levantar da cama
Aquilo que provém do coração
não menos nos preenche, incandesce
Ás vezes o que segue o desconforto do desabafo
apavora, machuca
Contudo, o que de fato destrói
é o cansaço
a fome
tristeza
câncer
ácido cianídrico
[junior ferreira]
A paixão que te penetra
é a mesma que me dá forças para levantar da cama
Aquilo que provém do coração
não menos nos preenche, incandesce
Ás vezes o que segue o desconforto do desabafo
apavora, machuca
Contudo, o que de fato destrói
é o cansaço
a fome
tristeza
câncer
ácido cianídrico
[junior ferreira]
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
[...]
Espontaneidade que se revela como a
corola da fêmea flor, que geme - em sua percepção auditiva - ao desabrochar a vida
Claro, como outras vertigens que aparecem no resto do dia
e somem pressurosas, deixando sequelas e convertendo a eternidade em alguns poucos minutos
São as horas que nos mostram a verdade
são as horas de sua distância
Aprecio o seus segundos
e invejo a maneira como inventa suas próprias histórias
na medida do seu corpo, no desalinho do seu tempo
[junior ferreira]
Espontaneidade que se revela como a
corola da fêmea flor, que geme - em sua percepção auditiva - ao desabrochar a vida
Claro, como outras vertigens que aparecem no resto do dia
e somem pressurosas, deixando sequelas e convertendo a eternidade em alguns poucos minutos
São as horas que nos mostram a verdade
são as horas de sua distância
Aprecio o seus segundos
e invejo a maneira como inventa suas próprias histórias
na medida do seu corpo, no desalinho do seu tempo
[junior ferreira]
terça-feira, 18 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
[...]
Esvazio a mente e viajo por aí, sem compromisso,
Enquanto tomamos aquele café na avenida.
Distração, alguns denominam por assim dizer.
Preocupação, reflexão, solução de problemas,
Desvio de atenção, há muitas coisas envolvidas
Em instantes que desvio o olhar e mergulho em minha mente,
Enquanto discutimos nossos problemas ou dividimos alguma verdade.
[junior ferreira]
Esvazio a mente e viajo por aí, sem compromisso,
Enquanto tomamos aquele café na avenida.
Distração, alguns denominam por assim dizer.
Preocupação, reflexão, solução de problemas,
Desvio de atenção, há muitas coisas envolvidas
Em instantes que desvio o olhar e mergulho em minha mente,
Enquanto discutimos nossos problemas ou dividimos alguma verdade.
*À minha amiga e companheira Natália Tanure.
[junior ferreira]
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
[...]
Pode mesmo se perder nesse desalinho - com o qual navego e reproduzo milhões de vezes as minhas caminhadas - por onde tenho habitado. Rotineiro, não deixo de ser por assim, se quer ver dessa maneira.
Seus lábios estão aí do outro lado, secando e se umedecendo - massageando o lábio inferior e o superior - à cada passagem que acompanha e interpreta.
Veloz, ao seu lado, acomodado em seu ombro enquanto observa que no quarto há apenas um abajur ligado. Sua respiração forte ecoa pelo comodo, perfurando os músculos de quem a sente por perto, densa, se acompanhar de olhos abertos.
Pormenores ficam entre os lençóis, onde os pés se cruzam e se aquecem - esquecem - pela madrugada afora.
[junior ferreira]
Pode mesmo se perder nesse desalinho - com o qual navego e reproduzo milhões de vezes as minhas caminhadas - por onde tenho habitado. Rotineiro, não deixo de ser por assim, se quer ver dessa maneira.
Seus lábios estão aí do outro lado, secando e se umedecendo - massageando o lábio inferior e o superior - à cada passagem que acompanha e interpreta.
Veloz, ao seu lado, acomodado em seu ombro enquanto observa que no quarto há apenas um abajur ligado. Sua respiração forte ecoa pelo comodo, perfurando os músculos de quem a sente por perto, densa, se acompanhar de olhos abertos.
Pormenores ficam entre os lençóis, onde os pés se cruzam e se aquecem - esquecem - pela madrugada afora.
[junior ferreira]
domingo, 26 de agosto de 2012
[...]
Vamos por essas estradas
pelas quais já passaram os trilhos do trem
e o mundaréu de areia tapou o túnel que cortava a cidade em seu subterrâneo.
Vamos por essas estradas
por onde ecoam nossas risadas de dez anos atrás
e a derradeira felicidade tornou-se a árvore que crescera sob os montes de terra
Vamos
[junior ferreira]
Vamos por essas estradas
pelas quais já passaram os trilhos do trem
e o mundaréu de areia tapou o túnel que cortava a cidade em seu subterrâneo.
Vamos por essas estradas
por onde ecoam nossas risadas de dez anos atrás
e a derradeira felicidade tornou-se a árvore que crescera sob os montes de terra
Vamos
[junior ferreira]
sábado, 25 de agosto de 2012
[...]
São mistérios que nem nossas vértebras exibem.
Pode se curvar, quebrar a coluna, não há quem possa
Ao menos dar vestígios.
Nem mesmo os mais intelectuais, ou estudiosos,
conseguiriam enxergar através dos ossos e imaginar o que punge e aflige.
E o que nos flagela não menos destrói, limita.
[junior ferreira]
São mistérios que nem nossas vértebras exibem.
Pode se curvar, quebrar a coluna, não há quem possa
Ao menos dar vestígios.
Nem mesmo os mais intelectuais, ou estudiosos,
conseguiriam enxergar através dos ossos e imaginar o que punge e aflige.
E o que nos flagela não menos destrói, limita.
[junior ferreira]
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
[...]
Por um tempo deixei a ausência de lado.
Agora, não menos fria, em si apegada, reaparece.
A ausência sente falta,
Quer brincar,
Rir ao seu lado e de quem a acompanha.
Não mais sozinho na ausência,
Que insiste em estar perto, por perto,
Sempre perto.
Perco-me em sua companhia,
E quando me percebo neste espaço,
A única chama que se acende
É sua suavidade ainda presa na memória.
[junior ferreira]
Por um tempo deixei a ausência de lado.
Agora, não menos fria, em si apegada, reaparece.
A ausência sente falta,
Quer brincar,
Rir ao seu lado e de quem a acompanha.
Não mais sozinho na ausência,
Que insiste em estar perto, por perto,
Sempre perto.
Perco-me em sua companhia,
E quando me percebo neste espaço,
A única chama que se acende
É sua suavidade ainda presa na memória.
[junior ferreira]
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
[...]
Minuciosamente abro o zíper da minha calça.
Nu apenas,
Ando pela casa e sinto o vento tocar minha pele.
Ainda que perdido em minha nudez, sinto, por toda minha coluna e pernas, escorrer aquela espuma que sai dos cabelos, os barulhos do chuveiro ligado e da água caindo.
Isento de qualquer companhia, enxugo o meu corpo; e se comparado com o resto da casa, minha nudez torna-se algo banal perto
do relógio de parede
e do ventilador de teto
[junior ferreira]
Minuciosamente abro o zíper da minha calça.
Nu apenas,
Ando pela casa e sinto o vento tocar minha pele.
Ainda que perdido em minha nudez, sinto, por toda minha coluna e pernas, escorrer aquela espuma que sai dos cabelos, os barulhos do chuveiro ligado e da água caindo.
Isento de qualquer companhia, enxugo o meu corpo; e se comparado com o resto da casa, minha nudez torna-se algo banal perto
do relógio de parede
e do ventilador de teto
[junior ferreira]
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
[...]
Disperso entre faróis que se lançam aos meus olhos,
Ainda que por um momento cego, consigo sumir desse universo veloz.
Lacônico, ao materializar o infinito.
Mesmo nesse simulacro que disfarça o que realmente te acoberta,
Consigo ver fundo nos seus olhos.
Como se diz eu te amo?
[junior ferreira]
Disperso entre faróis que se lançam aos meus olhos,
Ainda que por um momento cego, consigo sumir desse universo veloz.
Lacônico, ao materializar o infinito.
Mesmo nesse simulacro que disfarça o que realmente te acoberta,
Consigo ver fundo nos seus olhos.
Como se diz eu te amo?
[junior ferreira]
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
[...]
Tácitos, os meus olhos - e ao redor - acompanham aqueles movimentos
Desenvolverem-se no palco, iluminado a quem acompanha de longe, da platéia.
A bailarina carrega em sua coluna o equilíbrio, se mantendo
Em coerência desde as pontas dos pés aos ossos, pele, corpo.
Enquanto Bach, incansavelmente ecoa pela casa da vizinha,
A bailarina executa movimentos de intensa ressonância com a música,
Conectando os barulhos às suas coreografias,
Tornando quem a observa, tão flexível e elástico quanto as pernas demonstram ser.
*Poesia dedicado a um grande amigo e bailarino, Guilherme Fraga.
[junior ferreira]
Tácitos, os meus olhos - e ao redor - acompanham aqueles movimentos
Desenvolverem-se no palco, iluminado a quem acompanha de longe, da platéia.
A bailarina carrega em sua coluna o equilíbrio, se mantendo
Em coerência desde as pontas dos pés aos ossos, pele, corpo.
Enquanto Bach, incansavelmente ecoa pela casa da vizinha,
A bailarina executa movimentos de intensa ressonância com a música,
Conectando os barulhos às suas coreografias,
Tornando quem a observa, tão flexível e elástico quanto as pernas demonstram ser.
*Poesia dedicado a um grande amigo e bailarino, Guilherme Fraga.
[junior ferreira]
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
[...]
E descobrem-se poeiras nessa noite veloz
Vindas da vertigem do dia.
E os barulhos dos grilos e sapos na beira do córrego - que muitos ainda insistem
Em chamar de rio, talvez algum dia este título lhe caiba bem - nunca cessam.
Juntos a este escarcéu, ideias golpeiam de uma só vez,
Embora apenas uma palavra predomine dentre mil, cansaço.
E se escrever nas cartas que na primavera quero flores,
De-me azuis e vermelhas, violetas talvez;
E sempre traga o Sol,
Para que os fins de tarde não se transformem em apenas um ponto final.
[junior ferreira]
E descobrem-se poeiras nessa noite veloz
Vindas da vertigem do dia.
E os barulhos dos grilos e sapos na beira do córrego - que muitos ainda insistem
Em chamar de rio, talvez algum dia este título lhe caiba bem - nunca cessam.
Juntos a este escarcéu, ideias golpeiam de uma só vez,
Embora apenas uma palavra predomine dentre mil, cansaço.
E se escrever nas cartas que na primavera quero flores,
De-me azuis e vermelhas, violetas talvez;
E sempre traga o Sol,
Para que os fins de tarde não se transformem em apenas um ponto final.
[junior ferreira]
terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
[...]
Não é uma cela,
É uma sala que se expande, não tem canto, nem onde termina.
Em cada parede há milhares de fotos, lembranças talvez.
Pode-se percorre-la incansavelmente, derrubando os barulhos e a iluminação ininterrupta.
Só não pode retornar ao hall de entrada, nem voltar pelas portas pelas quais passara.
Deixar recados é provavelmente inevitável, marcas automáticas.
As frases vão ficando junto ao corredor que se estende, as paredes que se reformulam no tempo e as pessoas que entram e saem pelas portas - algumas sentam nos sofás e ficam mais tempos que outras - tornam-me memórias e exímias nesse universo descontrolado e infinito.
[junior ferreira]
Não é uma cela,
É uma sala que se expande, não tem canto, nem onde termina.
Em cada parede há milhares de fotos, lembranças talvez.
Pode-se percorre-la incansavelmente, derrubando os barulhos e a iluminação ininterrupta.
Só não pode retornar ao hall de entrada, nem voltar pelas portas pelas quais passara.
Deixar recados é provavelmente inevitável, marcas automáticas.
As frases vão ficando junto ao corredor que se estende, as paredes que se reformulam no tempo e as pessoas que entram e saem pelas portas - algumas sentam nos sofás e ficam mais tempos que outras - tornam-me memórias e exímias nesse universo descontrolado e infinito.
[junior ferreira]
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
[...]
E voltávamos pra casa por aquelas estradas, correndo após a aula,
Andávamos sempre em bando.
Vinhamos pelo caminho que dividia o espaço com os trilhos,
Mas não acabava ali na beira, ia além do túnel.
E por aqueles redores ouvíamos os barulhos da máquina que trasnportava o carvão
E o minério de ferro em seu rabo gigante e magnífico.
Todo aquele brilho que ficava no chão, morria com o resto da tarde
soprando a leve brisa dos dias de céu vermelho.
[junior ferreira]
E voltávamos pra casa por aquelas estradas, correndo após a aula,
Andávamos sempre em bando.
Vinhamos pelo caminho que dividia o espaço com os trilhos,
Mas não acabava ali na beira, ia além do túnel.
E por aqueles redores ouvíamos os barulhos da máquina que trasnportava o carvão
E o minério de ferro em seu rabo gigante e magnífico.
Todo aquele brilho que ficava no chão, morria com o resto da tarde
soprando a leve brisa dos dias de céu vermelho.
[junior ferreira]
segunda-feira, 16 de julho de 2012
[...]
E seus sorrisos vão ficando pelas esquinas,
Por aquelas ruas estreitas, nas quais tomamos uma chuva gelada,
Naquela noite na qual não parávamos de rir
E nem de procurar algum canto para não se molhar tanto.
E assim se esvai alguns de nossos sonhos, por essa mocidade,
junto ao que nos deixa ensopados e ao que nos torna ensolarados.
[junior ferreira]
E seus sorrisos vão ficando pelas esquinas,
Por aquelas ruas estreitas, nas quais tomamos uma chuva gelada,
Naquela noite na qual não parávamos de rir
E nem de procurar algum canto para não se molhar tanto.
E assim se esvai alguns de nossos sonhos, por essa mocidade,
junto ao que nos deixa ensopados e ao que nos torna ensolarados.
[junior ferreira]
segunda-feira, 9 de julho de 2012
[...]
Tenho borboletas dentro de mim.
Orquídeas pelo meu tegumento, simbiose.
E se nessa protocooperação evoluimos,
Não seria coerente desfazer dessa minha camisa que floresce em épocas tão específicas.
Coeso, talvez, aceitar que todas essas raízes apodreçam junto ao seu hálito,
Àquilo que na verdade é apenas uma semente,
A qual poucos corajosos nomeiam coração.
[junior ferreira]
Tenho borboletas dentro de mim.
Orquídeas pelo meu tegumento, simbiose.
E se nessa protocooperação evoluimos,
Não seria coerente desfazer dessa minha camisa que floresce em épocas tão específicas.
Coeso, talvez, aceitar que todas essas raízes apodreçam junto ao seu hálito,
Àquilo que na verdade é apenas uma semente,
A qual poucos corajosos nomeiam coração.
[junior ferreira]
segunda-feira, 2 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
[...]
A ordem das coisas se altera a cada suspiro...
[...suspiro]
... Embora a ordem das coisas não nos modifique.
Enquanto no canto da sala mora uma formiga,
No canto superior do mesmo lado, habita uma aranha.
E a leitura se esvai mantendo o mesmo contorno, o cansaço aumenta
Na mesma frequência e a cama, lá no quarto, não se altera, me espera.
[junior ferreira]
A ordem das coisas se altera a cada suspiro...
[...suspiro]
... Embora a ordem das coisas não nos modifique.
Enquanto no canto da sala mora uma formiga,
No canto superior do mesmo lado, habita uma aranha.
E a leitura se esvai mantendo o mesmo contorno, o cansaço aumenta
Na mesma frequência e a cama, lá no quarto, não se altera, me espera.
[junior ferreira]
domingo, 24 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
[...]
Gosto do João Gilberto e Stan Getz,
Da suavidade do agudo da Gal,
Dos sonetos de Florbela espanca - e toda sua indumentária poética, sua coerência e demasiado parnasianismo.
Gosto dos olhares, de tudo aquilo que não acaba e nunca se torna monótono.
Do beijo, da força do abraço eu gosto.
Gosto da saudade em alguns momentos - o que é memorável é eterno, mas fica na saudade, no desejo de ter novamente.
Gosto de meninas e de meninos,
Das esquinas que se desdobram em mil ruas, e nos levam por essa mocidade que por demais me fascina.
Gosto de você.
[junior ferreira]
Gosto do João Gilberto e Stan Getz,
Da suavidade do agudo da Gal,
Dos sonetos de Florbela espanca - e toda sua indumentária poética, sua coerência e demasiado parnasianismo.
Gosto dos olhares, de tudo aquilo que não acaba e nunca se torna monótono.
Do beijo, da força do abraço eu gosto.
Gosto da saudade em alguns momentos - o que é memorável é eterno, mas fica na saudade, no desejo de ter novamente.
Gosto de meninas e de meninos,
Das esquinas que se desdobram em mil ruas, e nos levam por essa mocidade que por demais me fascina.
Gosto de você.
[junior ferreira]
quarta-feira, 11 de abril de 2012
[...]
Prefiro a palavra Corpo,
quando quero desmitificar toda essa força com a emoção das palavras.
A camisa que rodeia a alma, que se abre em mil botões e mesmo assim não rasgamos esse tegumento, Pele.
Rasgado, como a boca que diz a verdade. Rígido, como o nódulo que se petrifica, Coração.
Mesmo não vendo o tempo, estamos nessa coordenada que nos leva a deterioração, à mocidade efêmera, velhice, vertigem. Por finalmente chegarmos a única coisa que temos certeza na vida enquanto matéria, morte.
[...]
Prefiro a palavra Corpo,
quando quero desmitificar toda essa força com a emoção das palavras.
A camisa que rodeia a alma, que se abre em mil botões e mesmo assim não rasgamos esse tegumento, Pele.
Rasgado, como a boca que diz a verdade. Rígido, como o nódulo que se petrifica, Coração.
Mesmo não vendo o tempo, estamos nessa coordenada que nos leva a deterioração, à mocidade efêmera, velhice, vertigem. Por finalmente chegarmos a única coisa que temos certeza na vida enquanto matéria, morte.
[...]
[...]
Ainda que a memória falhe, sei que os concretos não a seguram mais.
A antiga casa perto do rio, fora destruída.
Construíram um comércio sobre os destroços.
Lembro-me dos barquinhos de papel que colocávamos no rio em épocas de enchente.
Lembro-me da Chimbica, e suas ulceras de câncer, da Dona Fizinha, de quem tanto tive medo - por pensar que fosse bruxa, e por ser banguela, iria me engolir por inteiro.
Passei um breve tempo da minha infância, neste lugar.
Embora não mais exista, por mais antiga que seja, na memória sempre será a minha casa.
[junior ferreira]
Ainda que a memória falhe, sei que os concretos não a seguram mais.
A antiga casa perto do rio, fora destruída.
Construíram um comércio sobre os destroços.
Lembro-me dos barquinhos de papel que colocávamos no rio em épocas de enchente.
Lembro-me da Chimbica, e suas ulceras de câncer, da Dona Fizinha, de quem tanto tive medo - por pensar que fosse bruxa, e por ser banguela, iria me engolir por inteiro.
Passei um breve tempo da minha infância, neste lugar.
Embora não mais exista, por mais antiga que seja, na memória sempre será a minha casa.
[junior ferreira]
terça-feira, 10 de abril de 2012
[...]
[junior ferreira]
Sim, acordei por volta do fim da manhã, ainda que quisesse dormir mais - e o meu corpo pedia isso - resolvi levantar. Não tive coragem para olhar as horas - não quero olhar as horas, ora essa.
Neste fato comedido de simplesmente esquecer que existo e que tenho obrigações, me esqueço também de lavar o rosto, de trocar essa cara, e com essa mesma coisa que emolda acima do meu pescoço, consigo ver pessoas - as pessoas também me veem, em outros angulos, pelos olhos dos outros, o que torna tudo mais cômico - sentir toda essa vontade de sorrir quando caminho sozinho e não entender o porquê.
Me pego às vezes nesse silêncio, entre mil gargalhadas internas - uma ou outra conseguem sair.
E pensar que sou louco quando converso sozinho, se de fato o que faz a minha boca se mexer são pequenas partes de outros milhares de diálogos que acontecem ao mesmo tempo dentro de mim mesmo.
Impossível controlar esses impulsos, inimaginável como as coisas não param de se mover dentro da minha cabeça, querendo fazer e absorver tudo ao mesmo tempo. Essa ânsia me suga, me seca e faz com que a minha cara pela manhã, seja a menos iluminada possível.
[junior ferreira]
segunda-feira, 9 de abril de 2012
[...]
Ai, se tudo fosse como nas novelas.
Todo esse roteiro sendo entregue a artistas que emergem os sentimentos mais profundos.
Poderia gritar eu te amo, quem é você?
Quanta ousadia nessa trama, que se desenrola em mil turbilhões.
Das telas não vejo o coração, mas algum sentimentalismo travestido.
Embora vemos os olhos e destes podemos imaginar a alma, molda-la de certa forma, respeitando alguma coerência que não lhe absorve completamente.
Solidificar assim algumas emoções e sentimentos rasgados, como tudo que fica para trás, visualizando a partida de quem segue, relembrando os diálogos, as palavras, tudo o que foi dito tão naturalmente da boca daqueles que realmente sabem amar e dizer de quem realmente gostam.
[junior ferreira]
Ai, se tudo fosse como nas novelas.
Todo esse roteiro sendo entregue a artistas que emergem os sentimentos mais profundos.
Poderia gritar eu te amo, quem é você?
Quanta ousadia nessa trama, que se desenrola em mil turbilhões.
Das telas não vejo o coração, mas algum sentimentalismo travestido.
Embora vemos os olhos e destes podemos imaginar a alma, molda-la de certa forma, respeitando alguma coerência que não lhe absorve completamente.
Solidificar assim algumas emoções e sentimentos rasgados, como tudo que fica para trás, visualizando a partida de quem segue, relembrando os diálogos, as palavras, tudo o que foi dito tão naturalmente da boca daqueles que realmente sabem amar e dizer de quem realmente gostam.
[junior ferreira]
domingo, 8 de abril de 2012
[...]
Os barulhos do fim de tarde coexistem em
perfeita sintonia junto aos pássaros lá de fora,
que por toda essa Graça, sobrevoam a paisagem que me abala.
São os fins de tarde,
Que quando deitam a noite, pulsam esse tormento silencioso,
Arrastam o sono pelas madrugadas adentro, imensurável violência.
Posso dormir, contudo, ao amanhecer do dia, Graças a Deus.
[Junior Ferreira]
Os barulhos do fim de tarde coexistem em
perfeita sintonia junto aos pássaros lá de fora,
que por toda essa Graça, sobrevoam a paisagem que me abala.
São os fins de tarde,
Que quando deitam a noite, pulsam esse tormento silencioso,
Arrastam o sono pelas madrugadas adentro, imensurável violência.
Posso dormir, contudo, ao amanhecer do dia, Graças a Deus.
[Junior Ferreira]
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